Neste último dia 08 de agosto, foi realizada, na sede da APP-Sindicato em Curitiba, a Plenária Estadual da Marcha Mundial das Mulheres. A Plenária recebeu o nome de Maria Terezinha Leite e Eliane Junks, ambas trabalhadoras da educação pública do Paraná, que tiveram suas vidas e sonhos interrompidos pelas mãos do machismo. A homenagem é uma forma de tratar as feridas e a dor sofrida para, a partir do luto, seguirmos na luta!
Em seguida, passamos ao debate sobre a política econômica, através da análise apresentada pela professora da CESIT-Unicamp, a economista Marilane Oliveira Teixeira. “O Estado está em permanente disputa, o setor liberal e privatista está em permanente desconstrução das políticas sociais implementadas nos últimos anos no Brasil. Este setor usa a grande mídia para transformar os problemas econômicos em uma questão apenas de governabilidade”, explica Marilane.
A economista ressalta que é necessário mostrar que as grandes empresas, que atuam no mercado mundial, possuem rendas superiores ao PIB de muitas nações, ou seja, o poder econômico centralizado, não é do Estado mas sim de quem representa o capital. “A população fica apavorada ao acreditar que o país está em uma profunda crise, mas que a realidade muda ao comparar a situação do Brasil com as graves crises dos outros países, pelo mundo inteiro. A dívida pública brasileira nunca esteve num patamar tao baixo. Hoje é uma das menores do mundo, em torno de 35%, enquanto outros países, como a da Grécia está em aproximadamente 180%”.
Vivemos um momento de desaceleração da economia, os salários tiveram um aumento acima da produtividade e o próprio governo promoveu alguns reajustes que provocaram o aumento da inflação, como o caso do combustível e energia, por exemplo. Estas medidas interessam ao capital financeiro e aos investidores. Para a classe trabalhadora e, especialmente para as mulheres, as medidas devem ser para aumentar a capacidade de geração de emprego e renda, ampliação de investimentos em políticas sociais e de transferência de renda. O governo deve barrar a política de terceirizações e melhorar os serviços e bens públicos. Quem mais precisa do Estado, das políticas sociais são as mulheres.
Sobre a conjuntura estadual, a advogada Paula Cozero, apontou a necessidade de combate ao fundamentalismo, que se fez representar nas casas legislativas na aprovação dos Planos de Educação. Aponta que uma das medidas necessárias é o fortalecimento da pauta do Estado Laico. Falou sobre ausência de politicas publicas para mulheres no Estado e a preocupante situação de violência, que nos torna um dos primeiros estados brasileiros em homicídio feminino.
Na parte da tarde, foram realizadas oficinas temáticas, que abordaram: Enfrentamento à violência contra as mulheres: estratégias feministas; Construindo o feminismo anti-racista; Educação e seus impactos na vida das mulheres e das meninas – a discussão de gênero nas escolas (PEE e PMEs); Autonomia econômica: resistências e alternativas de valorização do trabalho das mulheres (agroecologia, economia solidária).
Também foi tratada da agenda feminista deste ano:
– Conferências Municipais e Estadual de Políticas para as Mulheres;
– 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres;
– Primavera do Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres – de 26 a 28 de setembro de 2015, em Santana do Livramento/RS;
– Marcha das Margaridas – 11 e 12 de agosto, em Brasília;
– Marcha das Mulheres Negras – 18 de novembro, em Brasília.
As educadoras que compõem o Coletivo Feminista da APP Sindicato, presentes na plenária, reforçaram o compromisso da entidade nesta luta, como conta a secretária de Gênero, Relações étnico-raciais e Direitos LGB, professora Elizamara Goulart Araújo. “Saímos mais fortalecidas e com grandes responsabilidades. Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!”











