Vacina primeiro: mães e pais organizam ato contra retorno forçado e pelo direito às aulas remotas

Vacina primeiro: mães e pais organizam ato contra retorno forçado e pelo direito às aulas remotas

Mobilização conjunta com estudantes e educadores(as) ocorre na próxima quinta-feira (14), às 10h, em frente à Seed

“Entre enfrentar o Conselho Tutelar e defender a vida do meu filho, eu fico com o meu filho.”

O dia 14 será de mobilização de mães, pais, responsáveis, estudantes e educadores(as) contra a obrigatoriedade das aulas presenciais imposta pelo governo Ratinho Jr. O protesto está marcado para as 10h, em frente à Secretaria de Estado da Educação (Av. Água Verde, 2140 – Vila Izabel).

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O ato foi um dos encaminhamentos da plenária promovida pela APP na noite desta quinta-feira (7). A direção estadual do Sindicato convocou a reunião após ser procurada por famílias de todo o estado angustiadas com a arbitrariedade.



“Vacina primeiro”

Imunizados, com a 2ª dose aplicada e em segurança. É assim que muitas mães e pais da rede estadual esperam que seus filhos retomem as atividades presenciais nas escolas do Paraná. 

Mas, há duas semanas, o governo Ratinho Jr. determinou a volta total, restringindo o ensino remoto a estudantes com comorbidades e desrespeitando a vida e a organização das famílias. 

Haverá resistência.

“Faltam dois meses letivos para acabar o ano. A vacinação das crianças está começando. Por que não deixam nossos filhos continuarem em casa para passarmos pelo menos o Natal com um pouco de tranquilidade?”, questiona o pai Daniel Martineschen.



A reunião contou com cerca de 40 participantes entre dirigentes, educadores(as), responsáveis e estudantes, bem como representantes da UBES e da UPES. 

“De uma hora para outra tiraram o meet do meu filho. Ele estava com nota boa, sempre fez as atividades, mas não teve diálogo. E agora vou ter que responder ao Conselho Tutelar. Não vou enviar meu filho sem ele tomar as duas doses. Peguei Covid e sei como é”, relata a mãe Rute Brasil.

Ideb a qualquer custo

Sob intensa pressão e assédio, incluindo ameaças de afastamento e punições, direções escolares e professores(as) têm dificuldades de responder à aflição das famílias. Na contramão da vida, a Seed lançou um programa para premiar escolas que mais trouxerem estudantes às salas de aula e baterem metas no Ideb.

“Em nome de resultados em provas, o governo promove um experimento macabro”, avalia Hermes Leão, presidente da APP. “Ainda há risco de surtos, como tem acontecido em muitas escolas. Nós defendemos que os estudantes possam continuar os estudos pelas aulas remotas até que estejam completamente imunizados”, complementa.

Nesta semana, a rede estadual contabilizou mais de 1.500 contaminados entre educadores(as) e estudantes desde a retomada presencial.

Vale lembrar que este é o mesmo governo que sancionou o Ensino Domiciliar.

Uma contradição que só pode ser explicada à luz do ódio à escola pública. Enquanto a população de baixa renda é obrigada a mandar filhos não vacinados para salas lotadas e mal ventiladas, famílias com recursos poderão lecionar em casa.

Ações

Além do ato, a plenária deliberou uma série de ações coordenadas. Confira e mobilize-se:

1. Divulgar e coletar assinaturas para a petição pública contra a volta 100% presencial, disponível neste link.
2. Divulgar o grupo de Facebook criado por mães e pais para organizar a resistência, disponível neste link.
3. A APP solicitará reunião com o Ministério Público com a presença de uma comissão de mães e pais
4. Solicitar reunião com as Comissões de Educação e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa
5. Realizar mobilizações virtuais permanentes
6. Estudar mandado de segurança e outras ações em andamento
7. Dialogar com os Núcleos Sindicais sobre a realização de atos locais