APP dá início à Escola de Formação 2023 com as presenças de representantes dos 29 Núcleos Sindicais

APP dá início à Escola de Formação 2023 com as presenças de representantes dos 29 Núcleos Sindicais

Tema do programa de formação é A Escola Pública é Nossa: Trabalho, Educação e Interseccionalidades

A APP-Sindicato deu início na sexta-feira (10) e no sábado (11) à Escola de Formação 2023, com atividades presenciais de representantes dos 29 Núcleos Sindicais, em Curitiba. A formação começou com palestra de Márcio Pochman sobre a conjuntura nacional e continuou no dia seguinte, com palestra de Megg Rayara Gomes de Oliveira sobre Interseccionalidade.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

A Escola de Formação visa formar quadros e fomentar o debate sobre o mundo do trabalho e da educação, promovendo a reflexão sobre questões estruturais da sociedade brasileira e suas expressões dentro das escolas.

O tema do programa de formação é A Escola Pública é Nossa: Trabalho, Educação e Interseccionalidades. O curso foi desenvolvido em parceria com a Unespar, nas modalidades presencial e on-line. De abril a junho, a formação será levada aos 29 Núcleos Sindicais da APP pelos(as) educadores(as) que participaram das atividades presenciais em Curitiba.

“Vocês vão fazer a divulgação desse curso e mostrar para a nossa categoria que nós temos condições de mudar a sociedade em que nós estamos, de transformar, de caminhar olhando para a frente, de forma organizada, a partir da interpretação da nossa realidade”, afirmou aos participantes a secretária de Formação Política Sindical e Cultura da APP, Sidineiva Gonçalves de Lima.

>> Confira as fotos do evento aqui
>> Confira mais fotos do evento aqui

A Escola de Formação é uma oportunidade de compreender a realidade brasileira para poder intervir nela, destacou o secretário-executivo de Formação Política Sindical e Cultura da APP, Cleiton Costa Denez. “Temos aqui a chance de pensar e construir uma realidade de acordo com o projeto de sociedade que a gente defende”, disse. 

“Esse é o momento para a gente parar um pouco, ouvir, pensar, ler, refletir, por que isso nos ajuda a nos posicionar e a intervir no dia a dia das escolas”, afirmou Cleiton.

A coordenadora do curso pela Unespar, Edinéia Navarro Chilante, ressaltou a importância de uma formação sócio-histórica para os(as) professores(as). “O nosso fazer pedagógico não se dá no vazio, ele se dá num contexto político, econômico e social. Fico muito agradecida por vocês terem aceitado esse desafio que nós colocamos, para que pudéssemos retomar a leitura, fazer o debate nos núcleos sindicais, para que possamos levar essa discussão mais à frente”, disse.

Conteúdo

A Escola de Formação trabalha o conteúdo do livro Neocolonialismo à Espreita: Mudanças Estruturais na Sociedade Brasileira, de Márcio Pochmann. Em sua palestra, na noite sexta-feira (11), ele lembrou que jornadas de formação são momentos importantes para quem está a frente de instituições que representam as aspirações da classe trabalhadora.

“Essa iniciativa é fundamental no momento que estamos vivendo, para podermos ter uma visão mais abrangente, mais profunda do momento, da trajetória que estamos cumprindo”, observou Pochmann. Ele apontou que o Brasil vive um momento de “cancelamento do futuro”. 

“Antes, essa forma de olhar o futuro como sendo algo que nos permitiria sermos muito mais do que somos hoje nos fortalecia do ponto de vista da congregação, articulação, união e de mobilização. Hoje temos um país que praticamente não discute o seu futuro”, disse.

A professora Megg Rayara Gomes de Oliveira é coordenadora do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFPR. Na manhã de sábado, ela falou sobre o conceito de Interseccionalidade, que considera a interação entre dois ou mais fatores sociais (gênero, etnia, raça, localização geográfica, idade) que definem uma pessoa socialmente. 

“É fundamental que a gente olhe para nossos alunos e alunas e os vejamos em sua totalidade, e não de uma forma genérica, como aparece nos dados estatísticos. Uma menina pobre e negra periférica está sujeita a violências que um menino branco cis não está”, disse a pesquisadora. Megg Rayara alertou que é preciso evitar nas escolas “armadilhas” que legitimem o machismo, o racismo e outros preconceitos na sociedade. “Temos que parar de produzir exclusões”, afirmou.

MENU