Aposentados(as) na luta: 30 de agosto será de mobilização em Curitiba contra desconto da Previdência e por Piso APP-Sindicato

Aposentados(as) na luta: 30 de agosto será de mobilização em Curitiba contra desconto da Previdência e por Piso

Data histórica de luto e luta da educação do Paraná terá ato em Curitiba e dia de Plataforma Zero nas escolas, em protesto contra o uso excessivo de aplicativos

Educadores(as) aposentados(as) têm um encontro marcado com a luta no 30 de agosto deste ano, um dia histórico para categoria. A concentração da Marcha em Defesa da Educação começa às 8h, em frente à Assembleia legislativa, em Curitiba.

O 30 de Agosto de 2023 lembra os 35 anos do episódio de 1988, quando o então governador Álvaro Dias ordenou um ataque de cavalaria contra professores(as) que protestavam por melhores salários e condições de trabalho.

“Todos os anos nós da educação do Paraná fazemos manifestações para relembrar essa data, que foi de muita violência. Esse ano nós estamos chamando principalmente as(os) educadoras(es) aposentadas(os) para fazer um grande ato e pedir o fim de outras formas de violência”, afirma Maria Adelaide Mazza Correia, secretária de Aposentados(as) da APP.

A convocação se estende a professores(as) e funcionários(as) de escola aposentados(as) de todo o estado, que podem entrar em contato com seus Núcleos Sindicais para virem a Curitiba.

Neste ano, conforme deliberação da Assembleia Estadual, não haverá paralisação da categoria.
Nas escolas haverá um dia de Plataforma Zero, em protesto contra o uso excessivo e obrigatório de aplicativos digitais. Educadores(as) na ativa que não estiverem nas escolas no dia devem somar forças ao ato, que terá como focos a defesa das pautas dos(as) aposentados(as) e funcionários(as) de escola.

Lutas

O ato no Centro Cívico vai se concentrar na defesa das pautas dos(as) aposentados(as) e dos(as) funcionários(as) de escola.

O Sindicato defende mudanças no desconto previdenciário para aposentados(as). Com a reforma da Previdência, a contribuição passou para 14% sobre benefícios que ultrapassam três salários mínimos. A taxação injusta faz com que uma professora aposentada receba hoje menos do que recebia em 2019. A APP defende isenção do desconto até o teto do INSS (R$ 7,5 mil).

Outra pauta é estender o reajuste de 13,25% aos(às) mais de dez mil aposentados(as) sem paridade. Eles(as) receberam apenas 5,79% de reajuste e não os 13,25% que serão implantados para os(as) QPM na ativa e aposentados(as) com paridade. 

Para o governo, o custo de assegurar o reajuste de 13,25% para todos(as) é pequeno, mas são recursos que fazem diferença para os(as) aposentados(as), que recebem um benefício médio (R$ 2.968), muito inferior ao daqueles(as) que têm paridade (R$ 5.406,22).

A assessoria econômica da APP estima que pagar a diferença entre os 5,79% e os 13,25% para este segmento custaria apenas R$ 223 por aposentado(a) ao mês, totalizando um investimento de R$ 30 milhões ao ano.

A APP reivindica a valorização dos(as) funcionários(as), com reformulação da tabela salarial. No Paraná, os(as) funcionários(as) de escola são os(as) servidores(as) estaduais mais penalizados com baixos salários. O rendimento base da tabela salarial do segmento é inferior ao mínimo nacional (R$ 1.320,00) e também ao mínimo regional.

A programação do 30 de Agosto foi definida em Assembleia Estadual online realizada no dia 12 de agosto, que definiu as pautas prioritárias e a jornada de lutas da categoria, como o enfrentamento às políticas de meritocracia da Seed e à militarização das escolas, as reivindicações por mudança nas regras de distribuição de aulas, a alteração da legislação que impõe metas e punições a diretores(as) de escola e o descongelamento do ano de 2021 para contagem de promoções e progressões, entre outros temas, como a luta por novo modelo de atendimento à saúde e mudanças na perícia médica.

Memória

No dia 30 de agosto de 1988, policiais militares avançaram com cavalos, cães e bombas contra professores(as) que protestava por melhores salários e condições de trabalho na Praça Nossa Senhora de Salette, em Curitiba. A repressão uniu a categoria, que transformou a data em dia de luto e luta.

Muitas conquistas trabalhistas vieram depois daquele fatídico dia: o piso salarial nacional, o plano de carreira para docentes, a realização de concursos públicos e o direito à hora-atividade, mostrando que a luta não foi em vão.

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