Após manifestação, Seed recebe sindicato e representantes de escolas


A APP-Sindicato convocou e a categoria esteve presente na manifestação que aconteceu nesta manhã (27) em frente ao prédio da Secretaria de Estado da Educação (Seed). O ato público tenta chamar a atenção da sociedade para a situação, e também cobrar da Seed o não fechamento de aproximadamente 150 escolas e turmas por todo o Estado.

Por isso, pais, mães, alunos(as) e educadores(as) se reuniram em protesto argumentando que o número divulgado pela Secretaria (de que 40 serão fechadas) não corresponde à realidade apresentada nas escolas.  A APP vem alertando que os cálculos da Seed, não são considerados, por exemplo, os turnos intercalados, nem as escolas que fecharam uma série por ano e ao final de quatro anos, não ofertarão mais nenhuma nova vaga. Na proposta de ‘otimização’ do governo, ele também não considera a junção de escolas – quando em um mesmo prédio irá funcionar aulas de uma escola pela manhã e de outra escola pela tarde.

 

(Foto: Ana Beatriz Pazos)

Para um governador que tinha a educação como ‘prioridade absoluta’ a proposta de fechamento destoa, principalmente por ter vindo sem o debate mínimo com a comunidade “É muito contraditório um governo que se elege falando na construção de escolas integrais, em melhorias na educação e, no ano seguinte, fecha turmas e escolas enviando apenas um comunicado para os diretores”, analisa a secretária de Administração e Patrimônio da APP, Mariah Seni. Uma prova de que não apenas as escolas com turmas ociosas serão fechadas é o caso do Colégio Don Orione, no bairro Santa Quitéria. “Quando matriculei a minha filha no Colégio eu senti orgulho. Fiquei em fila de espera! Agora receber a notícia que esse colégio, um dos poucos da região, será fechado por economia? Na mesma semana que o governador viaja para Europa para visita técnica? No Don Orione tem fila de mais de 300 alunos querendo estudar lá, é um absurdo esse fechamento”, reclama Angela Maria Santana dos Santos, mãe de Ana Beatriz, aluna do 6º ano do Colégio.

No ato em defesa das escolas estava também o estudante do Ensino Médio, Victor Araújo, aluno do Colégio Estadual Tiradentes, um dos mais tradicionais do Centro de Curitiba mostra sua revolta com a situação. “Economizar ele já economiza até na merenda. Já vimos o diretor ter que sair da escola para trazer a comida do lanche porque a verba não chegava, agora economizar fechando uma escola que tem bons professores e um monte de salas cheias? Por que?”, indaga.

O secretário de Comunicação da APP, Luiz Fernando Rodrigues, faz um contraponto às explicações do governo sobre o corte de verbas na educação. “Os cargos comissionados estão continuam aí. A desculpa de falta de verba não irá nos calar, pois quem fecha escolas, abre prisões!”, defende o secretario.

 

(Foto: Ana Beatriz Pazos)

Reunião – Ao final da manhã a direção estadual da APP-Sindicato, estudantes, diretores, professores(as), pais e mães foram recebidos pelo diretor geral da Seed. Nos relatos emocionados o descontentamento com a falta de diálogo e imposição que a secretaria vem fazendo para fechar as escolas. Diretores(as) relataram que foram informados em reunião com chefias do núcleo regional de educação sobre o fechamento de modalidades e turmas, sem qualquer debate. Walkíria Mazeto, secretária educacional da APP destacou o caráter antidemocrático do processo. “A Seed fala em consultar a comunidade escolar, mas o que queremos saber é se a opinião desta comunidade será respeitada pela secretaria?”, questionou. Em resposta, o diretor da seed se comprometeu a levar as demandas apresentadas à secretária e reafirmou que na próxima semana, após ouvidas as comunidades escolares, a secretaria divulgará o resultado. Hermes Leão, presidente da APP, pediu que os processos de fechamento sejam imediatamente cessados. “É inadmissível que num ano já tumultuado como este, a secretaria promova um ataque destes contra as escolas e os educadores paranaenses”, finalizou.