Após acabar com distanciamento, Ratinho descarta medição de temperatura nas escolas

Após acabar com distanciamento, Ratinho descarta medição de temperatura nas escolas

A ação precipitada coloca a saúde de estudantes, educadores(as) e familiares em risco; APP condena a alteração

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O ano letivo no Paraná mal começou e os problemas se multiplicam.

Em uma semana as escolas enfrentam confusão na distribuição de aulas, falta de funcionários(as), mudanças de horários devido ao NEM e à terceirização de cursos para a Unicesumar e superlotação das salas. 

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) resolveu colocar mais lenha na fogueira e alterou o Artigo 18º da resolução 860/2021, a qual tornava obrigatória a medição de temperatura de educadores(as) e estudantes nas escolas paranaenses.

Na prática, o governo Ratinho Jr. está ignorando o avanço da terceira onda da Covid-19, que volta a vitimar mais de 1000 pessoas por dia e coloca alunos(as) e profissionais em uma roleta russa macabra. 

Com a alteração, caso um(a) estudante, professor(a) ou funcionário(a) de escola estiver com febre poderá continuar no espaço educacional, sem entrar em isolamento e fazer os testes para garantir que não esteja contaminado.

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O grande problema é que a Sesa, gerida pelo secretário Beto Preto, ignora os próprios dados da pasta.

De acordo com dados da Secretaria publicados nesta semana, ao longo do primeiro mês de 2022 foram divulgados 52.607 diagnósticos da doença entre pessoas de 0 a 19 anos de idade.

Em comparação com o mesmo período no ano passado, (com 14.068 registros), houve um aumento de 274% no número de casos dentro da faixa etária, quadruplicando o quadro de contaminados(as).

63 crianças e adolescentes estão internados(as) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita ou diagnóstico de covid-19. Doze desses leitos pediátricos em uso são UTIs —ou seja, um a cada cinco.

Hoje, em 2022, o total de internações triplicou. E o de UTIs ocupadas, quadruplicou. 

Confira o gráfico elaborado pelo jornalista Fernando Oliveira com dados da Sesa

Vale lembrar que esses dados assustadores refletem o contágio anterior ao retorno das aulas. A situação pode piorar, ainda mais após o próximo feriado prolongado. 

A secretária de Saúde e Previdência da APP-Sindicato, professora Tereza Lemos, avalia que a alteração na resolução 860/2021 contribui com o alto quadro de infectados nos espaços escolares. 

“A APP-Sindicato considera que essa flexibilização está sendo feita num momento indevido pois expõe ainda mais funcionários(as), professores(as) estudantes e toda a comunidade escolar a contaminação pelo vírus da COVID-19 e também ao vírus H3N2 (influenza). O Estado precisa tomar medidas que garantam a segurança da população e não medidas que colocam a população em risco”, explica Tereza Lemos.

O Sindicato reafirma que continuará atento e denunciando as violações dos protocolos de biossegurança nas escolas.

Mortes de Crianças e adolescentes no Brasil

Sendo o grupo com a menor cobertura vacinal, crianças e adolescentes se tornam um público com grandes riscos caso sejam contaminados(as). 

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, em janeiro as hospitalizações saltaram de 697 para 2.122, na faixa entre zero e 19 anos. Já as mortes quase dobraram, saindo de 49 para 86.

Os boletins epidemiológicos apontam ainda que, em janeiro de 2021, foram 217 internações de crianças com menos de um ano; 198 do público entre um e cinco anos; e 282, entre 6 e 19 anos, chegando a 697 no total.

Já em janeiro deste ano, os números saltaram para 718 hospitalizações de bebês com menos de um ano; para 627 de crianças entre um e cinco anos; e 777 na faixa entre 6 e 19 anos.


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