Análise das propostas de reajuste salarial dos(as) servidores(as)

Análise das propostas de reajuste salarial dos(as) servidores(as)


A direção da APP-Sindicato reafirma seu posicionamento e dos demais sindicatos de servidores(as) de defesa de 8,17% ainda no ano de 2015. Esse é nosso direito e o que garante a lei da data-base. Cid Cordeiro, economista e especialista em finanças públicas analisa as propostas apresentadas até o momento e as perdas salariais com cada uma delas. Confira:

 A negociação salarial na data base é o momento de atualizar o rendimento recuperando as perdas salariais provocadas pela inflação, para os Servidores estaduais esse momento ocorre em maio, no período de 2007 a 2014 sempre ocorreu o zeramento da inflação no mês da data base. Em 2015 isto não ocorreu ainda, todas as propostas apresentadas não contemplaram o pagamento de 8,17% -IPCA dos últimos doze meses- no mês de maio ou no ano de 2015.

O que caracterizou até o momento as propostas e hipóteses de reajuste é a perda de massa salarial tanto no ano (maio a dezembro de 2015) quanto nos doze meses (maio/15 a abril/16) como apresentado no quadro abaixo.

HIPÓTESES DE REAJUSTE
  Descrição Resíduo inflacionário Perda de massa salarial (mai a dez/15)  
1a. Proposta 5,0% em duas parcelas, especulava-se que seria pago em set/15 e jan/16 3,02 58,12  
2a. Proposta 3,45% em tres parcelas (set,out,nov) e 8,5% em jan/17 53,21  
3a. Proposta 3,45% em out/15 e 8,5% em jan/16, reajuste em jan/17, mai/17 e mai/18 50,41  
Proposta Deputados 3,45% em out/15 e 8,5% em jan/16, reajuste em jan/17, mai/16, mai/17 e mai/18 50,41  
Proposta zeramento até dezembro 3,45% em out/15 e 4,56% em dez/15, reajustes em mai/16, mai/17 e mai/18 43,31  

Sem dúvida alguma a 1ª. Proposta era a que mais perdas provocava ao rendimento dos Servidores, além da perda de massa salarial mais elevada, perpetuava um resíduo inflacionário de 3,02% que gerava para os anos seguintes 42,67% de perda de massa salarial/anual, isto é, todo ano o Servidor perderia 0,43 vencimento no ano.

Todas as demais propostas ou hipóteses de reajuste passaram a contemplar o princípio do zeramento da inflação, eliminando possibilidade de perda futura, as perdas se restringem ao período da data base de 2015 (maio/15 a abril/16).

A proposta apresentada pela Assembleia Legislativa parcela a reposição, estipula reajuste de 3,45% em outubro/15 (inflação de maio a dezembro de 2014) e 8,5% em janeiro/16 (inflação de janeiro a dezembro de 2015), reposição da inflação em jan/17, mai/17 e mai;18, por essa proposta os Servidores apresentam 50,41% de perda de massa salarial em 2015 e 34,42% nos doze meses (maio/15 a abril/16).

O SIGNIFICADO DA PERDA DA MASSA SALARIAL 

Todas as propostas ou hipóteses de reajustes embutem perda de massa salarial pelo fato de não zerarem a inflação no mês da data base (maio/15), essa perda é medida pela diferença entre o valor do vencimento com a aplicação da inflação e o valor da aplicação do reajuste parcelado, ao final do período é somada essa diferença e calculado o percentual que representa do rendimento.

A perda resultante é transformada em parte de um vencimento, no caso da proposta apresentada pela Assembleia Legislativa essa perda é de 50,41% de um vencimento (0,5 salário), ou seja, o Servidor que recebe no ano 13 salários perderá 0,5 salário, em termos líquidos receberá no ano 12,5 salários.

Portanto, esse cálculo demonstra a perda anual do parcelamento do reajuste salarial, não significa que o Servidor perderá meio salário/mês, a perda é de meio salário/ano.

Essa perda só será recuperada mediante o pagamento de uma indenização, pela proposta da Assembleia essa indenização será paga com a incorporação aos vencimentos de um percentual de 1% a partir de janeiro de 2017.

 

AVALIAÇÃO DA PROPOSTA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

  • Assegura o zeramento da inflação, ainda que de forma parcelada;
  • Provoca perda de massa salarial de 50,41% em 2015 (maio a dezembro) e de 34,42% nos doze meses (maio/15 a abril/16);
  • Indeniza a perda de massa salarial com a percentual adicional de 1% no reajuste previsto em janeiro de 2017, após o período de indenização reverte em aumento real;
  • Proposta tem perda e ganho, a antecipação do reajuste salarial para janeiro de 2016 reduz a perda de massa salarial ao elevar o vencimento acima do valor do zeramento da data base, ou seja, no período de janeiro a abril de 2016 o vencimento é maior que a aplicação dos 8,17%, para um salário de R$ 1.000,00 a perda é de R$ 81,70 (7,55% de qualquer vencimento) de maio a setembro, cai para R$ 47,2 (4,36% de qualquer vencimento) de outubro a dezembro e reverte para ganho de R$ 40,73 (3,77% de qualquer vencimento) de janeiro a abril de 2016, por conta desse ganho nos últimos 4 meses é que a perda de massa salarial cai de 50,41% (maio a dezembro)  para 34,42% (maio/15 a abril/16).
Mês Data Base Proposta Diferença Perda/Ganho  em %
mai/15 1.081,70 1.000,00 -81,70 -7,55
jun/15 1.081,70 1.000,00 -81,70 -7,55
jul/15 1.081,70 1.000,00 -81,70 -7,55
ago/15 1.081,70 1.000,00 -81,70 -7,55
set/15 1.081,70 1.000,00 -81,70 -7,55
out/15 1.081,70 1.034,50 -47,20 -4,36
nov/15 1.081,70 1.034,50 -47,20 -4,36
dez/15 1.081,70 1.034,50 -47,20 -4,36
jan/16 1.081,70 1.122,43 40,73 3,77
fev/16 1.081,70 1.122,43 40,73 3,77
mar/16 1.081,70 1.122,43 40,73 3,77
abr/16 1.081,70 1.122,43 40,73 3,77

 

  • Assegura o zeramento da inflação para os próximos períodos ao estabelecer o calendário de reajustes para janeiro de 2017, maio de 2017 e maio de 2018.
Período out/15 jan/16 jan/17 mai/17 mai/18
Reajuste 3,45% 8,50% 5,5% + 1% 1,80% 4,50%
Confirmado Estimado Estimado Estimado Estimado

 

CUSTO ADICIONAL DO ZERAMENTO DA INFLAÇÃO EM 2015: outra hipótese avaliada é o zeramento da inflação em 2015, nesse caso o reajuste seria de 3,45% em outubro e 4,56% em dezembro -perfazendo os 8,17%-, com isso a inflação seria zerada dentro do ano em que foi gerada a perda.

Comparando essa hipótese com a proposta apresentada pela Assembleia Legislativa, o custo adicional na folha de pagamento de dezembro seria de apenas R$ 55 milhões mais o custo adicional na folha do 13º. Salário de R$ 44 milhões, totalizando R$ 97 milhões.

 

CUSTO ADICIONAL
Dezembro R$ 55 milhões
13o. Salário R$ 44 milhões
Total R$ 99 milhões

 

REPASSE DE RECURSOS DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA COBRE CUSTO ADICIONAL: o custo adicional de R$ 99 milhões pode ser financiado pelos R$ 87 milhões que a Assembleia Legislativa devolverá ao Governo da parte do seu orçamento. Outra fonte de recurso para financiar esse custo adicional é o crescimento da receita, o Governo estima uma receita de R$ 33 bilhões, cada um ponto percentual (1pp) de aumento incrementa a receita em R$ 330 milhões.

 

FONTES DE FINANCIAMENTO DO CUSTO ADICIONAL

Recursos da Assembleia Legislativa R$ 87 milhões
Ou Aumento da Receita (1pp) R$ 330 milhões

 

PERCENTUAL ADICIONAL DE 1% EM maio DE 2016

Além do zeramento da inflação em 2015, outro ponto destacado é a antecipação do início do pagamento da indenização com a aplicação do percentual adicional de 1% em maio de 2016 ao invés de janeiro 2017 como prevê a proposta.

O custo adicional dessa antecipação em oito meses da aplicação do 1% adicional é estimada em R$ 13 milhões/mês, que resultaria em custo total adicional ao final do período (dezembro 2016) de R$ 105 milhões.

 

DIFERENÇA NA PERDA DE MASSA SALARIAL COM ZERAMENTO EM 2015

Considerando a hipótese de antecipar o zeramento da inflação para o mês de dezembro de 2015 e não janeiro/16, o ganho que isso representará para um vencimento de mil reais é de R$ 47,17, a perda de massa salarial cairia de 50,87% para 46,51%, para o exemplo de um vencimento de R$ três mil reais o ganho é de R$ 141,52 e a perda de massa cairia de 50,87% para 46,51%, consideramos a evolução dos salários de maio de 2015 a abril de 2016.

No entanto, se considerarmos para o mesmo período a proposta do Governo de reajuste em janeiro de 8,5%, em termos financeiros o zeramento em dezembro (4,56%) e não em janeiro (8,5%), representa uma perda de massa salarial de R$ 156,62 para um vencimento de mil reais, e o abono cai de 46,51% para 30,86%, para um vencimento de três mil reais a perda de massa salarial seria de R$ 469,87.

Logo, a proposta de pagamento de 8,5% em janeiro de 2016 é –em termos financeiros- superior a antecipação de 4,56% em dezembro.

Para que não ocorra perda para o Servidor é necessário que se garanta não só os 4,56% em dezembro, encerrando o ano com 8,17%, mas garantido também a complementação de janeiro que resultaria em um percentual de 3,77% (8,55% – 4,56%).

 

Hipótese de zeramento
4,56% dez/15 4,56% jan/16 8,5% jan/16
Remuneração Anual, vcto R$ 1.000,00 13.559,04 13.511,87 13.715,66
Diferença p/4,56%dez 47,17 -156,62
Perda de Massa Salarial 46,51 50,87 30,86
Remuneração Anual, vcto R$ 3.000,00 40.677,12 40.535,60 41.146,99
Diferença p/4,56%dez 141,52 -469,87
Perda de Massa Salarial 46,51 50,87 30,86

 

OUTROS ITENS DA PROPOSTA ANTERIOR E QUE FORAM RETIRADAS DA NOVA PROPOSTA

A proposta apresentada pela Assembleia Legislativa alterou completamente a última proposta apresentada pelo Governo:

– Retornou a data base para o mês de maio a partir de 2017;

– Retirou a proposta de abono para completar o Piso Regional para os níveis iniciais e que afetaria os interníveis e interclasses; e

– Retirou o Art. 6º. Que congelava a carreira do Magistério.

CONCLUSÃO

No início de 2015 havia boatos de que o governo não iria aplicar reajuste na data base de 2015, esse boato não pode ser confirmado, mas pela disposição demonstrada pelo Secretário da Fazenda em cobrir no curtíssimo prazo o “rombo” de caixa do Governo, poderia ser sim um cenário possível, mas qualquer intenção nesse sentido foi barrada com as manifestações de fevereiro que fizeram o governo regredir no “pacote de maldades” que enviou à Assembleia Legislativa. A primeira proposta de reajuste divulgada e que acabou não sendo enviada foi a de 5% parcelada em duas vezes sem definição de data, essa proposta reflete uma visão liberal de desregulação dos contratos, não reconhece o princípio de zeramento da inflação e implicaria em perdas perpetuas para o rendimento do Servidor.

As propostas e hipóteses que se seguiram recuperaram o princípio do zeramento da inflação, importante passo para a resolução do conflito, resta nesse momento um esforço adicional quantificado em R$ 99 milhões para atender uma bandeira do movimento que é o zeramento dos 8,17% ainda em 2015, os recursos para financiar esse custo adicional viriam do repasse de recurso de R$ 87 milhões da Assembleia Legislativa ou de provável aumento da receita acima do estimado pelo Governo, a cada um ponto percentual de aumento gera receita adicional de R$ 330 milhões. Mesmo com essa nova opção o Governo reduzirá o gasto com a folha em R$ 588 milhões em 2015, que será pago como indenização ao Servidor no longo prazo com a aplicação do percentual adicional de 1%.

 

Cid Cordeiro Silva

Economista

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