Desenvolvedores responsáveis por aplicativo de alfabetização desmentem Bolsonaro

Desenvolvedores responsáveis por aplicativo de alfabetização desmentem Bolsonaro

Uso de aplicativo de celular para ensinar crianças a ler e escrever mais rápido é golpe

O(a) professor(a) é o principal fator de aprendizagem dos(as) estudantes. Na contramão da realidade, uma corrente política tenta impor sua visão medíocre de educação ao País, inclusive atribuindo a aplicativos o milagre da alfabetização em seis meses, como fez o candidato Jair Bolsonaro no debate televisivo de domingo passado. 

O golpe tá aí, cai quem quer. A PUC do Rio Grande do Sul, que adaptou o aplicativo para o Português, não quis e divulgou nota oficial no dia seguinte ao debate, afirmando que o jogo tem o objetivo não de alfabetizar, mas de auxiliar no desenvolvimento da consciência fonológica e fonêmica das crianças, relacionando letras e sons. 

“Para uma criança ser alfabetizada ela precisa de instrução sistemática e consistente, precisa de vivências e sem dúvida alguma do apoio da Escola e especialmente de educadores”, diz a nota.

No debate, Bolsonaro disse que o governo dele seria capaz de alfabetizar crianças de forma mais rápida que o de Lula, usando um aplicativo. “Chama-se GraphoGame (…) No tempo do Lula, a garotada levava três anos pra ser alfabetizada. Agora, no nosso governo, leva seis meses”, embromou.

É ilusório que a tecnologia seja capaz de fazer milagres na educação. A alfabetização em seis meses vendida por Bolsonaro simplesmente não existe e se baseia numa concepção equivocada do que é ensinar uma criança a ler e escrever.

O Graphogame é um aplicativo que trabalha a parte da alfabetização chamada de letramento, usando letras, sílabas e sons para familiarizar a criança com os fonemas. Alfabetização é muito mais que isso, pois deve incluir a capacidade de contextualizar e interpretar o que se está lendo.

O uso da ferramenta pode parecer moderno, mas põe em prática uma concepção antiga e conservadora. A aplicativos “educativos” apenas estimulam a repetição de ações para obter um resultado pré-determinado, adotado um conceito de educação superado.

Nota da PUC

A PUCRS, por meio de um projeto de pesquisa multidisciplinar, foi responsável apenas por realizar a adaptação para o português do aplicativo GraphoGame, jogo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Finlândia com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento da consciência fonológica e fonêmica das crianças, ou seja, na relação letra e som (grafema-fonema).

A universidade explica que o aplicativo pode ser uma ferramenta de apoio, mas que sozinho não é capaz de alfabetizar. Este não foi e não é o objetivo da iniciativa e dos pesquisadores em nenhum momento. Para uma criança ser alfabetizada ela precisa de instrução sistemática e consistente, precisa de vivências e sem dúvida alguma do apoio da Escola e especialmente de educadores.

 

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