Auto da Compadecida, obra escrita pelo romancista e dramaturgo Ariano Suassuna é o tema escolhido para ilustrar e compor a Agenda 2026 da APP-Sindicato. Com ilustrações exclusivas, informações sobre a dramaturgia brasileira e espaço para organização pessoal, a agenda pode ser adquirida nos núcleos sindicais. Neste ano, a peça, que é considerada um dos maiores clássicos do teatro brasileiro, completa 70 anos da sua primeira encenação ocorrida em Recife (PE).
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Secretária Executiva de Comunicação da APP-Sindicato, Cláudia Gruber, explica que a escolha do tema é uma celebração não apenas ao teatro nacional, mas também da riqueza e da diversidade cultural existente em nosso país. “A cultura está impregnada em nosso cotidiano e precisa ser devidamente valorizada. Ariano sempre fez questão de trabalhar elementos populares em suas obras, mostrando a riqueza do nosso povo e da nossa cultura”, afirma.
Para homenagear a obra e seu autor, a agenda recebeu o título “Em Cartaz: Auto da Compadecida e os Teatros do Brasil”, misturando cultura e arquitetura. Foram selecionados 12 teatros que contemplam as cinco regiões do país, levantando sua relevância histórica e arquitetônica. A cada mês, o(a) leitor(a) encontrará um espaço, sua história e importância para a dramaturgia brasileira. A agenda traz também, trechos marcantes da peça que projetou Suassuna para todos o país, além de um glossário para aproximar o(a) leitor(a) do universo teatral.
Seguindo a linha cultural adotada nos anos anteriores, a nova edição da agenda da APP-Sindicato tem o propósito de servir como um referencial teórico a ser trabalhado em sala de aula. “Nossas agendas têm desdobramentos durante o ano letivo e todos os meses trazem conteúdos para serem explorados pelos docentes em diferentes áreas do conhecimento”, completa Cláudia, reforçando como a arte e a cultura são ferramentas necessárias na busca de uma educação pública de qualidade e para a transformação social.
Assim como outros materiais produzidos pela a APP-Sindicato, a agenda pode ser usada para estimular reflexões e atividades pedagógicas, despertando pensamento crítico e analítico, “É importante valorizarmos o local, o regional, fortalecermos nossas raízes. A educação tem essa tarefa. Para a APP, trazer tais conteúdos é uma forma importante de aproximação entre o público e as temáticas escolhidas no decorrer desses anos”, relata a dirigente.
70 anos de “Auto da Compadecida”
“Não sei, só sei que foi assim”, “I love you quer dizer morena em francês”, frases e diálogos entre o trágico e o cômico refletem as aventuras de Chicó e João Grilo, dois amigos do sertão nordestino conhecidos por representarem uma das principais referências do teatro moderno no Brasil.
“Auto da Compadecida’, obra escrita pelo romancista e dramaturgo Ariano Suassuna, em 1955, completa em 2026, 70 anos da sua primeira encenação ocorrida em Recife, capital pernambucana, celebrando não apenas o teatro brasileiro, mas também a riqueza e a diversidade cultural existente em nosso país.
Dividida em três atos, o drama que se passa em Taperoá, no Nordeste do Brasil, mistura elementos da literatura de cordel, comédia e traços do barroco católico, marcando a cultura popular e a tradição religiosa.
Inspirada nos folhetos “O Dinheiro”, “O testamento do cachorro” e o “Cavalo que defecava dinheiro”, do poeta Leandro Gomes de Barros, a obra passou a ser uma sátira social, expondo com o uso do humor, conflitos humanos, hipocrisia, corrupção e normativas sociais enraizadas na estrutura social.
A história que passou a existir no imaginário coletivo cultural, deixou os palcos para ocupar as salas de cinemas e a televisão brasileira, ganhando diferentes adaptações ao longo dos seus 70 anos. A mais conhecida, lançada no ano 2000, dirigida por Guel Arraes e estrelada por Selton Mello (Chicó) e Matheus Nachtergaele (João Grilo), foi a escolhida para ilustrar a capa da agenda da APP-Sindicato de 2026.
A peça, atemporal, se mostra como um manifesto cultural, revelando em sua narrativa a existência humana no sertão, suas dificuldades e a diversidade religiosa. Com referências marcadas pela poesia cantada se torna resistência e preservação histórica de lendas e crenças ligadas à cultura nordestina.
Ariano Suassuna
Ariano Villar Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em João Pessoa, dentre suas profissões, poeta e dramaturgo traduzem a importância de suas obras para a construção histórica do teatro moderno no Brasil.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, é responsável pela fundação do Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP), ao lado de Hermilo Borba Filho, entre as décadas de 1940 e 1950, e pelo Movimento Armorial, criado em 1970 ligando a arte erudita com as raízes populares do Nordeste.
Suassuna é dono de um dos repertórios mais ricos de criação, dedicando boa parte de sua vida à dramaturgia brasileira. Escreveu sua primeira peça em 1948, intitulada “Uma Mulher Vestida de Sol”. Em 1950, veio a primeira premiação com a obra “Auto de João da Cruz”, ganhando o Prêmio Martins Pena.
Destacou-se nacionalmente com “Auto da Compadecida”, em 1955, sendo uma das peças mais emblemáticas encenadas em diversos teatros do Brasil. Depois vieram obras como “O Santo e a Porca” e o “Casamento Suspeitoso” (1957). Dentre tantas histórias, o escritor ganhou espaço na Academia Brasileira de Letras (ABL), sendo eleito em 1989, ocupando a cadeira número 32 em sua posse, ocorrida no dia 9 de agosto de 1990.
Sua última obra foi lançada postumamente, em 2017, intitulada “Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores”. Dramaturgo por essência, foi professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. Faleceu em 23 de julho de 2014, deixando um legado imensurável para sua cultura local e nacional.
>> Serviço
Agenda 2026 da APP-Sindicato: disponível nos núcleos sindicais e na sede estadual
Valor: R$ 35










