Afastamento de professora por abordar Karl Marx foi ilegal


O projeto de escola que pela qual lutamos – democrático e plural – parece cada vez mais distante. A professora de Sociologia Gabriela Viola foi afastada esta semana pela direção do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel. O motivo da punição foi que ela estaria expondo os(as) estudantes e ‘difamando’ a instituição. Como? A professora entrou no radar do colunista de ultra direita, Rodrigo Constantino, após um vídeo produzido por alunos(as) de uma turma na qual ela leciona ter viralizar na internet. No vídeo intitulado, os(as) estudantes fizeram uma paródia de um funk inspirado em um conteúdo apresentado pela educadora em sala de aula. O Departamento Jurídico da APP-Sindicato, ao ser procurado pela professora, esclareceu que o afastamento verbal feito pela direção da escola é completamente irregular. A professora, que é PSS, para ser afastada das suas funções, precisa ter seu caso avaliado em uma sindicância, não pode simplesmente ser excluída da escola pela direção.

De acordo com Gabriela, em entrevista ao jornal Brasil de Fato, o objetivo do trabalho feito pela turma era incentivá-los a compreender melhor os teóricos da Sociologia, como Karl Marx e Max Weber. O colunista, ao ver o vídeo, afirmou que a professora estava praticando ‘doutrinação marxista’. A situação lança luz, mais uma vez, sobre a tentativa de setores conservadores contra a escola pública. E um dos instrumentos usados é o projeto Escola Sem Partido. Em um texto publicado pelo presidente da APP professor Hermes Silva Leão, sobre o tema, a entidade e a categoria são claros: defender a democracia e a pluralidade de pensamentos não é doutrinação. A APP acompanhará de perto o caso da professora, para que ela não seja vítima de assédio e nem tenha seus direitos desrespeitados.

Com informações de brasildefato.com.br