Absurdo: Ratinho Jr. mata escola de excelência e expulsa estudantes para abrigar cívico-militar APP-Sindicato

Absurdo: Ratinho Jr. mata escola de excelência e expulsa estudantes para abrigar cívico-militar

Em Santo Antônio da Platina, Seed decidiu fechar escola de tempo integral para transferir para o local um colégio militarizado que teve o prédio interditado

Foto: Flávio Arns no Flickr

Uma “morte estúpida”. Assim a comunidade escolar classificou a decisão do governo Ratinho Jr. que mandou fechar o colégio estadual Ubaldino do Amaral, de Santo Antônio da Platina, na região norte do estado. A unidade, que oferece ensino fundamental e médio em tempo integral, deixará de existir a partir de 2024 para dar lugar ao colégio cívico-militar Edith de Souza Prado Oliveira, que teve o prédio interditado pela Defesa Civil.

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“Eu recebi essa bomba no grupo de Whatsapp da escola”, conta Sueli Cipriano Raimundo do Carmo, 39, mãe de dois adolescentes que estudam no Ubaldino, um no fundamental e outro no médio. A moradora diz que ficou em estado de choque quando recebeu a notícia, pois considera excelente o ensino e o trabalho da equipe de profissionais da escola.

“Naquele momento, meu mundo caiu. Falei com os meninos, foi um choque. Eles não estavam esperando por isso. Eles não viam a hora de voltar para a escola, porque eles gostam de lá. É a melhor escola que tem. Além de ensinar as disciplinas normais, eles ensinam os jovens a sonhar. Para as mães que trabalham o dia todo, os filhos não ficam na rua. O estudo lá é excelente. Além deles serem excelentes profissionais, eles são humanos, o que falta ultimamente’, diz.

Foto: Johny Araujo no Facebook / reprodução

Profundamente desapontada com a decisão do governo Ratinho Jr., Sueli relata preocupação com o futuro dos filhos. Segundo ela, na cidade só há mais uma escola de ensino integral, mas que só oferta ensino fundamental. Ensino médio em tempo integral só existe no Ubaldino e até o momento não teriam sido abertas novas vagas para acolher os(as) estudantes(as) prejudicados(as), diz ela.

“Tem fila de espera em todas as escolas. Dizem que vão abrir vagas, mas até agora não foi aberto nada. Na escola que eu fui tem 80 crianças na fila e, pelo que a gente foi informado, vamos ter que esperar até janeiro para ver qual escola vai ter vaga. Para as crianças que preferem o integral, só vai ter uma opção de escola e não vai caber todo mundo lá, muitas crianças”, afirma.

Satisfeita com o modelo da escola de tempo integral, Sueli acredita que poderia ter sido encontrada outra medida para resolver o problema da escola cívico-militar que teve o prédio interditado, como o aluguel de outras instalações, até uma solução definitiva. A mãe também questiona o compromisso da Secretaria da Educação (Seed) com a oferta de ensino de qualidade e afirma que seus filhos não querem nem saber de escola cívico-militar. 

“Não precisaria esse transtorno todo pra gente. Agora o ensino vai ficar pior, porque as escolas estão lotadas. Vai acrescentar mais alunos nas salas, que vai piorar bem  mais o ensino. Não concordo em fecharem uma escola para colocar uma outra, sendo que poderia ter outra opção, reformar lá a escola deles e colocar em outro lugar”, critica.

Mobilização

Em um abaixo-assinado direcionado ao Ministério Público, a comunidade pede o apoio da população e descreve situações ocorridas em reuniões entre o Conselho Escolar e o Núcleo Regional de Educação de Jacarezinho. As informações demonstram a falta de transparência e a postura autoritária que tomou conta da Seed a partir da gestão Ratinho Jr.. 

“Na ocasião, o Conselho Escolar se reuniu, já prevendo a atual situação, mas foi repreendido pela chefia do NRE de Jacarezinho, que gerou um certo conflito entre gestor, professores e funcionários, em virtude disso houve uma segunda reunião, agora com a presença da chefia do NRE, o Conselho escolar pediu um parecer do Núcleo, que assegurou que o colégio não fecharia e que eram boatos e notícias falsas”, menciona o documento.

Foto: Ubaldino do Amaral no Facebook / reprodução

Em texto publicado em uma página da escola em uma rede social, o encerramento das atividades é duramente criticado. “É com muito pesar que comunico a “morte estúpida” do Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral-EFM – Paraná Integral, em [que] os números se sobrepõem à qualidade de ensino, e quem deveria proteger e cuidar das instituições de ensino, as perseguem, em nome do “ poder político”. Fomos despejados, sem escola, sem lotação e sem rumo”, diz a postagem.

A publicação faz referência aos bons resultados entregues pela escola e menciona que em 2021 o colégio Ubaldino do Amaral registrou nota de 5,7 no Ideb do Ensino Fundamental. O texto denuncia a contradição da propaganda oficial sobre a qualidade do ensino no Paraná e lamenta que o governo ignore essa realidade e use a quantidade de alunos(as) matriculados(as) para justificar a decisão tomada.

“Quando se fecha uma escola, diminui-se a qualidade na educação, pois os alunos se tornam “números “ excessivos nas salas de aula, sem a menor condição de trabalho para professores atuarem com excelência. Prega-se uma qualidade de educação no Paraná que não existe, a politicagem impera e se sobrepõe à qualidade de educação necessária”.

Foto: Johny Araujo no Facebook / reprodução

Em outra postagem, um internauta escreveu que a situação é uma “palhaçada” e afirma que o governo quer transformar o Ubaldino em escola militar “na marra”. Outro usuário questiona a decisão do NRE, já que o colégio tem registrado um bom rendimento. Elogios à direção e a equipe pedagógica também aparecem nos comentários.

Luta e resistência

O Núcleo Sindical da APP-Sindicato em Cambará acompanha o caso e tem prestado todo o apoio possível à comunidade escolar. O professor e dirigente sindical, Juliano César Teixeira, explica que a APP buscou apoio no Ministério Público e pediu a parlamentares que dialoguem com o secretário da Educação, Roni Miranda, e também com o líder do governo, deputado Russein Bakri (PSD), para tentar reverter a decisão. Até o momento não houve resposta positiva.

“A direção da APP de Cambará repudia a atitude do governador Ratinho Jr., que mata os sonhos dos estudantes do Colégio Ubaldino do Amaral quando anunciou o fechamento da instituição. É triste, porque é um colégio de excelência e de bons resultados no Ideb. Indignação total dos estudantes, professores, funcionários, direção e da comunidade escolar. Lamentamos muito esta situação e não vamos desistir da luta”, diz.

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