“A propaganda do governo é mentirosa”, alerta professor de colégio privatizado por Ratinho Jr em Curitiba

“A propaganda do governo é mentirosa”, alerta professor de colégio privatizado por Ratinho Jr em Curitiba

Privatização foi imposta mesmo sem ter sido aprovada pela comunidade escolar e não resolveu os problemas, afirma professor do Colégio Estadual Protásio de Carvalho

No Colégio Estadual Protásio de Carvalho, em Curitiba, o Parceiro da Escola foi imposto mesmo sem aprovação da comunidade escolar. Foto: APP-Sindicato

Ratinho Jr quer entregar mais 97 escolas da rede pública estadual a empresas “amigas”, com a promessa de melhorias na estrutura e no funcionamento geral desses estabelecimentos. Mas,  observando as escolas privatizadas com o programa Parceiro da Escola, a realidade é bem diferente da propaganda do governo estadual. É o que acontece no Colégio Estadual Protásio de Carvalho, em Curitiba, onde o Parceiro da Escola foi imposto mesmo sem aprovação da comunidade escolar.

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Na consulta, realizada no ano passado, não houve quórum suficiente para validar a votação, mas a Secretaria de Estado da Educação (Seed) decidiu implementar o programa mesmo assim. “Tentaram arrumar as quadras de esporte e ainda tem vários problemas, como salas de aula sem pintura, com goteiras e infiltrações, quadros de giz despadronizados e laboratório de ciências deficitário”, relata Raphael Zoccoli, professor de Geografia no Protásio desde 2016.

Os resultados do programa Parceiro da Escola estão muito longe do prometido antes da privatização. “A propaganda do governo é mentirosa. Uma das promessas era termos funcionários responsáveis pela segurança e não temos. As profissionais de Psicologia, Nutricionista e Serviço Social têm apenas um dia da semana em nossa escola, o que é insuficiente devido à demanda e sobrecarregando as profissionais”, afirma Zoccoli. 

Faltam funcionários(as) também nas equipes de limpeza e cozinha da escola, aponta Zoccoli. “Quando um funcionário falta, não há substituto e a escola transforma-se num caos. Só não sai de controle pois todos os que trabalham aqui entendem que devemos acolher e cuidar dos nossos estudantes”, diz.

Zoccoli conta que há falta também de professores(as), ao contrário do que prometeu Ratinho Jr. “Alguns se afastaram do trabalho por motivos de saúde, principalmente saúde mental. A promessa do governo foi que os estudantes não mais ficariam no pátio quando um professor faltasse, pois seriam atendidas por profissionais para não haver perda no aprendizado. No entanto, o que vemos é alguns funcionários, sem experiência ou formação pedagógica, entregando atividades como caça-palavras, cruzadinhas ou desenhos para colorir”, diz. 

Mais do que avaliar resultados, no entanto, o debate sobre a privatização deveria partir da escola que queremos, afirma Zoccoli. “Acredito que o debate sobre as privatizações dos serviços e setores estratégicos é muito mais profundo. A quem pertence a escola pública? Quem construiu e com que dinheiro? A resposta já sabemos. O que queremos saber é se um servidor público, como um governador ou deputado, tem o direito de vender o que é nosso”, indica.

Nesse contexto, a privatização é apenas a entrega desnecessária e inútil de dinheiro público a empresas privadas. “Não há necessidade de privatizar. O que há é a transferência de dinheiro público para empresas sem melhoria alguma na educação. Não há transparência dos contratos, nem do repasse do dinheiro, nem do investimento realizado pela empresa. Se essa verba pública viesse direto para a mão da comunidade já teríamos melhorado muito nossa infraestrutura”, conclui Zoccoli.

A APP-Sindicato organizou atos nesta semana em todo o Paraná contra a privatização e a militarização de mais escolas. No interior, dirigentes sindicais fizeram protestos em frente aos Núcleos Regionais de Educação e também protocolaram denúncias ao Ministério Público. “Vamos levar para a comunidade todos os nossos argumentos e desmentir a falácia que essa Secretaria tem feito sobre esse programa. Vamos defender a escola pública na sua gestão pública. Vamos dizer não mais uma vez, se é isso que a Seed quer ouvir”, destaca a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.

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