A luta da população LGBTi+ negra pela sobrevivência

A luta da população LGBTi+ negra pela sobrevivência

Principais vítimas da violência e com menor acesso a serviços básicos, a população LGBTI+ negra enfrenta a falta de reconhecimento e o estigma social

Falta de empregos, violência e carência de políticas de saúde e assistência social. Essa é a realidade invisível aos olhos da população em geral, mas que pessoas LGBTI+ negras enfrentam diariamente.

Uma situação agravada pela concepção deturpada do presidente eleito, que insufla a violência e a intolerância contra o que considera “família tradicional”. Segundo estudo da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o crescimento do número de crimes em 12 anos de acompanhamento é de 201%. 

Contrariando a impressão de que, durante a pandemia, os índices apresentariam baixa, 132 assassinatos de pessoas trans e travestis foram registrados entre janeiro e agosto de 2020, frente a uma média anual de 122,5. Pessoas trans negras correspondem a 78% dos casos.

“No atual governo, escancarou-se a diferenciação entre aqueles com privilégio de branco, de sair na rua e não ser espancado, não ser morto ou apontado e aqueles que sofrem todo o tipo de violência”, aponta a professora estadual do Paraná e ativista Laysa Knop. 

Foto: Reprodução/Internet

Se a violência aumentou com o discurso beligerante de Bolsonaro, a falta de políticas de combate à pandemia agravou a situação de pessoas vulneráveis e que dependem do SUS. 

A pesquisa da Antra aponta que 70% da população travesti e transexual negra(o) não conseguiram acesso a políticas com o auxílio emergencial na pandemia devido à situação de vulnerabilidade.

Já a taxa de desemprego entre os(as) LGBTI+ foi de 21,6% no segundo trimestre deste ano, quase o dobro (12,6%) da população em geral, de acordo com o IBGE.

“Esta população está sobrevivendo a uma economia racista, elitista, sexista, que nestes governos delegam simplesmente o empobrecimento total e irrestrito, a condição de não ter o que comer, morar e não ter meios de sobrevivência. A pandemia escancara esse lado mais cruel”, explica a professora. 

A educação é fundamental na luta por direitos

A educação é parte fundamental na luta por uma sociedade mais igualitária, pautada pela equidade. A partir da valorização de alunos(as) LGBTI e negros(as) e o incentivo ao respeito mútuo, é possível garantir que o futuro seja menos sombrio para aqueles(as) que sofrem com a discriminação.

Atualmente, o Brasil tem leis que garantem a permanência de estudantes nos espaços escolares. “Nós estamos em um espaço democrático, de conhecimento. Muitos acham que estamos travando uma luta pela ideologia de gênero, que só existe na cabeça daqueles que não aceitam o diferente”, aponta Laysa Knop.

Foto: Cris Faga/NurPhoto

Além do reconhecimento de direitos já adquiridos, como a alteração do pronome e do gênero, uso de banheiro conforme a identidade de gênero e a punição contra aqueles que promovem a LGBTIfobia, precisamos avançar em mais pautas de valorização e promoção da equidade.

Uma das principais formas de conseguir isto é promovendo o debate, elegendo pessoas negras e LGBTI+ e garantindo voz e vez a quem é silenciado(a) na nossa sociedade.

“Temos que pensar em governos que olhem para a população LGBTI+ e população negra, com aquele olhar de pertencimento. Quando olhamos para o legislativo e não nos vemos nestes projetos, precisamos pensar não só em eleger, mas eleger LGBTI+ que tem essa consciência histórica”, finaliza a ativista.

 


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