A farsa da farda - por Luiz Fernando Rodrigues

A farsa da farda – por Luiz Fernando Rodrigues

Estudantes vão sentindo a opressão a cada dia e, no lugar da expectativa de futuro, cultivam aversão à escola

É lamentável ver nossas escolas transformadas em quartéis. Nossas crianças e jovens que já sofrem com a opressão nas ruas, em shoppings, no mercado de trabalho e muitas vezes em casa, agora também são tolhidos no espaço que deveria ser de liberdade e aprendizado. Talvez, para alguns desses estudantes, fosse esse o único refúgio para expressar o que eles realmente são e vivem.

Mas o lugar do sonho, da esperança, do desenvolvimento e da aprendizagem vai sendo tomado pelos gritos, ordens, padronização, “disciplina”.

Vir de chinelo não é mais permitido, o cabelo tem que ser curto para os meninos e preso para as meninas. Unhas pintadas nem pensar, se não tem uniforme não entra na sala de aula. Namorar, então, se tornou absurdo. Abraçar o amigo ou a amiga virou sinônimo de afronta. O papel pedagógico, ah esse deixou de ser o principal. O que vale é a ordem, a regra, o padrão.

Estudantes vão sentindo a opressão a cada dia e, no lugar da expectativa de futuro, do desejo de estar com os outros e aprender, vão cultivando aversão à escola, num desejo de que o “pesadelo” acabe logo.

Pais, mães e responsáveis já sentem que a escolha que fizeram talvez não tenha atingido a expectativa deles. Aqueles que não impõem limites em casa, não dialogam com seus filhos, vão percebendo que a escola também não dá conta de cumprir este papel que nunca foi dela. O discurso do “não tá contente, vai embora” vem surtindo efeito e muitos se vão, restando os que ainda suportam o “apertar da mola”.

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”, já dizia o mestre Paulo Freire. Nossa luta, ao longo de milhares de anos, permanece atual em busca de libertação, para nós e para as gerações futuras. Lutemos para que a escola volte a ser um espaço libertador.

Luiz Fernando Rodrigues é funcionário de escola na rede estadual, formado em Administração e Marketing, especialista em gestão escolar e foi secretário de comunicação da APP-Sindicato.

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