A crise financeira mundial, que começou em 2008, está impactando o financiamento para a educação. Essa é a realidade da maioria dos países que, a pretexto da crise econômica, estão promovendo cortes de recursos em setores da economia que atingem principalmente os mais pobres. Em Portugal, por exemplo, o governo cortou 800 milhões de euros do orçamento anual da educação pública. O tema está sendo debatido no 6º Congresso Mundial da Internacional de Educação (IE), que está acontecendo desde o dia 22 de julho na Cidade do Cabo, na África do Sul.
A IE aprovou uma resolução na qual critica o modelo de recuperação da crise e convoca todos os sindicatos membros que exijam que o financiamento da educação pública continue sob responsabilidade dos governos e de, no mínimo, 6% do PIB.
Para a IE não é possível que aqueles que estão no poder usem a crise financeira para lançar uma segunda onda para dizimar os serviços públicos. “Sem professores, assistentes sociais e enfermeiros oferecendo os serviços públicos, não podemos atingir os objetivos do milênio”, diz o texto.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, foi um dos delegados da IE que defendeu a resolução. “No Brasil, nós entendemos que a educação não pode ser responsável por pagar a conta da ganância financeira. A educação pública que defendemos é a de qualidade, socialmente referenciada, que constrói cidadania e prepara as pessoas para intervirem de maneira consciente na sua vida, na sua história. Nós entendemos que a educação precisa de muito investimento e defendemos que no nosso país haja investimento de ao menos 10% do PIB na educação pública, porque acreditamos que a grande escola é a escola pública capaz de promover o desenvolvimento independente, de autonomia, solidário, democrático e construído com a participação de todos. Por isso, nós consideramos importante a aprovação dessa resolução para que tenhamos a educação que se preocupa com o ser humano e não o mercado”, ressaltou Leão.
O 6º Congresso Mundial do maior sindicato de professores do planeta teve início no último dia (22). Com trinta milhões de filiados, a Internacional da Educação escolheu a Cidade do Cabo, na África do Sul, para sediar o encontro. Durante cinco dias, os cerca de dois mil participantes, de mais de 154 países, vão aprofundar o debate sobre como atuar na defesa da educação de qualidade em meio à crise econômica internacional. O tema escolhido para este Congresso foi “Construindo o futuro através da educação de qualidade”.
Sobre o Congresso – O Congresso da IE é a maior instância de decisão da Internacional da Educação. Durante o evento, são aprovadas as políticas, planos de ação e os programas da organização. Também são eleitos os membros do Conselho e da Direção Executiva da entidade para os quatro anos seguintes. Neste 6º Congresso terão direito a voto cerca de 1600 delegados representando as 345 entidades filiadas à IE.
Memória – Os congressos da IE acontecem a cada quatro anos e a organização escolhe um continente diferente para realizá-lo. Em 2004, o 4º Congresso aconteceu na América do Sul e o Brasil foi o país anfitrião. A CNTE apoiou a organização do evento realizado em Porto Alegre. Nesse congresso, a Confederação passou a ocupar um espaço importante na IE. A então presidente da CNTE, Juçara Dutra Vieira, foi eleita para o cargo de vice-presidente mundial da IE. Juçara foi reconduzida ao cargo em 2007, no 5º congresso realizado em Berlim, na Alemanha, e agora, pela segunda vez consecutiva, concorre à reeleição.
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Veja mais matérias sobre o evento no site da CNTE: http://www.cnte.org.br/
Com informações da CNTE

















