Nos dias 29 e 30 de julho foi realizada em Cascavel a 3ª e última etapa do Curso de Formação Em Gênero Etnia e Diversidade. Promovido pela secretaria de Gênero e Igualdade Racial da APP-Sindicato em conjunto com a Unioeste, o curso foi realizado no Hotel Harbor Querência, local onde ocorreram palestras sobre a temática da questão racial. Os especialistas convidados falaram sobre políticas de ações afirmativas, Estatuto Nacional da Igualdade Racial e relação desenvolvimento x comunidades tradicionais.
A partir do texto “Impactos e Dilemas da Adoção de um Sistema de Cotas na Universidade Federal do Paraná (UPFR)”, a chefe do departamento de Antropologia da UFPR, a professora doutora Liliana Porto, proferiu palestra sobre a importância da diversidade etnicorracial no espaço acadêmico. Segundo ela, a universidade é muito mais rica quanto mais puder envolver os diferentes segmentos da sociedade. E os negros e indígenas tem muito há contribuir, pois descendem de grupos que tem outras referências culturais.
Ainda neste primeiro dia, o professor mestre em tecnologia e trabalho pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Paulo Renato Araujo Dias, fez uma síntese do resultado da sua dissertação de mestrado: “A perspectiva Crítica da Noção de Desenvolvimento – O caso João Surá Plumbum (Vale do Ribeira/PR). Antes da palestra, o professor exibiu vídeo sobre a comunidade, mostrando um pouco do modo de vida e costumes dos descendentes de africanos quilombolas. Os presentes observando como eles fazem o uso das ervas medicinais, o cultivo da terra, entre outros. Em seguida, Dias apresentou dados sobre os impactos – ambiental e social – gerados pela empresa mineradora Plumblum naquela área onde a comunidade está situada.
No sábado (30), o professor Celso José dos Santos falou sobre a Educação das Relações Etnicorraciais, Estatuto da Igualdade Racial e marco legal para as ações afirmativas no Brasil. Em relação ao Paraná, Celso falou sobre as equipes multidisciplinares, as quais foram criadas em 2009 para avançar no processo da implementação das Leis 10.639 e 11.645. Estas dispõem sobre a valorização da cultura afrobrasileira e indígena. No entanto, afirmou que não basta apenas a criação de uma legislação. Pois mesmo as leis não são suficientes para eliminar o racismo que, segundo ele, é uma prática que precisa ser combatida em toda a estrutura do Estado.
O cronograma com encaminhamentos para as turmas regionais do curso de formação foi divulgado no final da atividade. A presidenta da APP, Marlei Fernandes de Carvalho, e o deputado estadual professor José Lemos, que estiveram no primeiro dia do evento, também falaram com os cursistas. O deputado Lemos lembrou os projetos de lei que estão em tramitação na Assembleia e também sobre o Estatuto da Igualdade Racial do Paraná. A professora Marlei falou sobre a despedida da secretária Lirani Maria Franco, que está à frente da secretaria de Gênero e Igualdade Racial.
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