Convidado a fazer as análises de conjuntura internacional e a nacional na primeira mesa do XI Congresso da APP-Sindicato – coordenada pelos diretores da entidade Luiz Carlos Paixão e Isabel Catarina Zöllner -, o deputado estadual Enio Verri, também presidente do PT do Paraná, traçou um retrato da política e da economia no mundo e no Brasil. Verri iniciou sua fala de como o Estado pode ser um grande instrumento privatizante, dependendo de quem o comanda. Ao mesmo tempo, uma onda de estatização também pode não significar um Estado como provedor dos direitos sociais da população.
Ele lembrou que na década de 1960, quando o Brasil vivia sob o regime militar, houve, de fato, uma onda estatizante. Mas esta, destacou o palestrante, não tinha como meta a garantia do serviço público de qualidade ao povo ou do fortalecimento do papel do Estado na economia. “Pelo contrário. Esta estatização serviu ao capital, que precisava do Estado para providenciar a infraestrutura necessária para o seu desenvolvimento”.
Na década de 1990, com o neoliberalismo, segundo Verri, as mesmas pessoas que defenderam a estatização 30 anos antes, passaram atuar pelas privatizações. “Porque as estatais passaram a ser muito lucrativas e chamaram o interesse do capitalismo”, explicou. Essa postura dúbia, hora estatizante, hora privatizante, observou o palestrante, nunca mascarou natureza real desses governos: estar a serviço do capitalismo.
No cenário internacional, especialmente na Europa, Verri afirma que a União Europeia nasceu, nos anos pós-guerra, com a meta de unificar os países pela paz mundial. No entanto, essa união acabou servindo para outras intenções: harmonizar a economia dos países distintos que formam o continente utilizando, para isso, a cartilha do neoliberalismo e a máxima do Estado mínimo. O resultado, segundo Verri, pode ser visto hoje, com a quebradeira de várias países europeus na atual crise econômica.
O deputado também salientou que o papel dos Estados Unidos, hoje, não é mais o mesmo de há 20 anos, no auge da onda neoliberal. Mas nem por isso, destacou Verri, ele perdeu sua importância. Além disso, acrescentou Verri, a forma como o país enfrentou a crise de 2008 prova de maneira cristalina o modelo de Estado norte-americano: forte, mas que atua claramente a serviço do capitalismo.
A lição dos Brics – A fórmula encontrada pelos países do chamado Brics – Brasil, Rússica, Índia, China e, mais recentemente, África do Sul – demonstra, na concepção de esquerda defendida por Verri, que a solução para conter as atuais crises econômicas está, sim, na intervenção do Estado. “Estes países enfrentaram a crise de maneira positiva. Eles entenderam que o Estado precisava intervir na economia de forma mais direta e em todos os setores”, avaliou.
No caso específico do Brasil, o fato de o país passar a reforçar o Mercosul como extremamente positivo. Além disso, Verri afirmou que o Brasil a crise de 2008 e 2009 realmente atingiu o país com muito menos força que outras nações. “Enquanto o resto do mundo parece não saber direito para onde vai, nós continuamos a fazer este enfrentamento através de políticas corretas, a exemplo do incentivo ao consumo interno e o corte dos juros”, destacou.
Este cenário afeta o Paraná, na avaliação do deputado, de maneira direta. Em especial, explicou, por conta do posicionamento cada vez mais claro, do atual governo, de engajamento a elementos da cartilha privatista. “Existe um conceito ideológico muito arraigado, e confirmado pela mídia, de que o privado é mais eficiente que o público”. E sob a desculpa da busca dessa suposta eficiência, o atual governo, avalia Verri, atua na concretização de uma visão de Estado mínimo.
Para o deputado, para se contrapor a este projeto, o trabalhadores devem, neste momento, começar a pensar – de fato – qual a sociedade que desejam e como agir para alcançá-la.

















