Categoria deve debater um novo modelo de educação

Categoria deve debater um novo modelo de educação


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A mesa sobre Conjuntura Educacional e Sindical realizada na manhã deste sábado (3), no segundo dia de programação do XI Congresso Estadual da APP-Sindicato, apontou questões importantes para os delegados e as delegadas que participam da atividade em Pontal do Paraná. Coordenada pelos diretores estaduais Janeslei Albuquerque e Mario Sergio Ferreira, as exposições ficaram por conta da professora doutora Andrea Caldas, coordenadora do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Rosane Silva, secretária nacional da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A primeira a falar foi feita pela professora Andrea, que traçou um rápido histórico da educação no Brasil, com a instituição tardia (em comparação a outros países, inclusive da América Latina) da educação pública, passando pela construção ideológica do neoliberalismo, na década de 1990, que desmontou o sistema público de educação no país, e, enfim, a retomada – a partir da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – dos debates e avanços no setor. “Mas isto não foi suficiente para dar conta de desmonte dos anos anteriores e das necessidades reais da educação”, avaliou.

Andrea Caldas também apontou a relevância dos debates sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), sobre financiamento – segundo ela até a década de 1990 este tema sequer fazia parte da pauta dos educadores – e, também, a formulação histórica do ideário de que a escola pública é um espaço para os pobres e, portanto, não necessita de qualidade. Para a professora, o debate sobre financiamento já avançou muito e, de fato, hoje este é o aspecto que está barrando a leitura do relatório do PNE no Congresso Nacional. Mas, destacou a pesquisadora, apesar disso, os trabalhadores em Educação devem avançar em outras frentes.

“Nosso desafio vai para além da disponibilização do Fundo Público e da ampliação do financiamento da educação. A tarefa que se nos impõe para a próxima década é um tema ainda incipiente em nossas instâncias: afinal de contas, qual é a escola e a universidade que nós queremos? Em que deve ser investido este dinheiro pelo qual tanto lutamos? Com mais recursos, vamos apenas ampliar o atual modelo, que nos impõe uma lógica seriada? Isto se faz premente quando vemos, com uma frequência cada vez maior, os jovens abandonando a escola por puro desinteresse. Se não melhorarmos a escola, não teremos alunos”, enfatizou.

A palestrante também destacou a importância dos futuros debates sobre como o PNE que for aprovado pelo Congresso deverá reverbera nos planos estaduais e municipais de educação. Além disso, a coordenadora do Setor de Educação da UFPR salientou a importância da baseinstigar as universidades e seus pesquisadores no sentido de auxiliar na análise de experiências concretas que mude a realidade nas escolas. “Precisamos encontrar alternativas. Devemos lutar, resistir, nos organizar e qualificar nosso debate com argumentos sólidos”, alertou.

Desafios da luta sindical – A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, destacou a crise mundial, como esta afetou o mundo e o Brasil. Ela também é de opinião que os países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – conseguiram responder melhor aos desafios que surgiram. Segundo Rosane, o fato de o país fugir do remédio tradicional praticado pelo neoliberalismo – cortes de gastos sociais e apoio ao capital -, estes países apostaram no inverso: ampliação dos investimentos sociais e uma maior presença do Estado no cotidiano da população.

Sobre os desafios que a classe trabalhadora, ela elencou o aumento da rotatividade (prática de demitir quem ganha mais para contratar trabalhadores com rendimentos menores), mesmo com a economia aquecida, como um dos maiores desafios. Ela também salientou a importância de todos os trabalhadores se unirem na defesa de diversas convenções internacionais do trabalho, a exemplo da 151 (que estabelece como parâmetros a negociação permanente entre trabalhadores e patrões no serviço público) e da 158 (disciplina a proteção do trabalhador contra a despedida sem justa causa), além da bandeira pelo trabalho decente. A secretária da CUT também destacou o apoio da Central às bandeiras da educação.

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