UFPR suspende o calendário letivo por causa da greve

UFPR suspende o calendário letivo por causa da greve


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Fonte: Gazeta do Povo

Por: Denise Drechsel

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Federal do Paraná (UFPR)aprovou nesta sexta-feira (29) a suspensão do calendário letivo da universidade em função da greve dos professores e servidores da instituição, iniciada em 17 de maio. O calendário acadêmico, por outro lado, não foi modificado. Com isso, atividades como o Festival de Inverno, a Feira de Profissões e as comemorações do centenário da universidade não serão desmarcadas.

A decisão atinge a realização das aulas, o lançamento das notas e as matrículas dos alunos que foram aprovados no vestibular de inverno da UFPR Litoral. Houve apenas duas exceções na deliberação do Conselho: alunos do 12º período de Medicina poderão prosseguir normalmente as atividades de estágio e os estudantes de intercâmbio do Ciência sem Fronteiras estão liberados para seguir o cronograma do programa.

O Cepe acatou ainda o pedido dos acadêmicos de que as bibliotecas dos cursos, muitas deles fechadas por causa da greve, funcionassem em sistema de plantão. Isso porque, como o Capes e o CNPq não alteraram as datas para entrega de teses com a paralisação dos docentes, os alunos dos cursos de pós-graduação estão sendo prejudicados.

Greve

A greve dos professores é nacional e conta com a participação de 57 instituições federais de ensino superior. A mobilização espera a apresentação de uma proposta de reajuste salarial e alteração do plano de carreira dos docentes, prometida pelo governo a Andes, Sindicato Nacional dos Docentes de Instituição de Ensino Superior em um encontro ocorrido em 12 de junho.

Naquela ocasião, o governo pediu tempo para formular uma proposta formal aos professores, sugerindo que a carreira dos docentes poderia ter como base a dos servidores da área de ciência e tecnologia. O Ministério do Planejamento solicitou ainda aos docentes a suspensão da greve por 20 dias, tempo no qual seguiriam as negociações. A categoria rejeitou o pedido de trégua da paralisação. O governo, por sua vez, desmarcou uma segunda reunião agendada para o dia 19 de junho, mas se comprometeu a se encontrar com os grevistas nos próximos dias.


Professores e funcionários em greve de universidades federais fazem manifestação na Avenida Paulista

Agência Brasil

Professores e funcionários das universidades públicas federais, em greve desde maio, fizeram nesta quinta-feira, 28, um protesto na Avenida Paulista do qual participaram também servidores públicos de outros setores.

Segundo a Polícia Militar, 300 pessoas participaram da manifestação, que começou no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e provocou a interdição de uma faixa da Avenida Paulista por cerca de três horas.
Os manifestantes pararam em frente ao Banco Central, num ato de protesto contra os altos gastos que o governo federal despende com juros e amortização de dívidas.
Segundo a presidenta da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), Virgínia Junqueira, o governo gasta 47,19% do Orçamento da União com a dívida interna, enquanto a educação recebe apenas 3,18%. “Queremos que 10% do PIB sejam destinados ao setor”, declarou.
De acordo com Virgínia, os grevistas reivindicam, com o apoio do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), um plano único de valorização da carreira. Pela proposta do governo, rejeitada pelos professores, eles precisariam passar por 16 níveis para chegar ao topo da carreira e ainda prestar um novo concurso para ser tornar titular.
Os profissionais do ensino iniciam a carreira, segundo Virgínia, com salário em torno de 3 a 4 mil reais, num cargo de auxiliar de ensino, mesmo tendo doutorado em sua formação. A ascensão da carreira passaria pelos níveis de assistente, adjunto e, por último, associado.
A Andes, por sua vez, pede que o plano de carreira tenha 13 níveis, sendo que, para chegar a titular, o professor não necessitaria de novo concurso. O salário inicial, além disso, seria maior, entre 7 e 8 mil reais.
Na Universidade Federal do ABC (UFABC) , os docentes estão parados há 23 dias, informou o vice-presidente da associação dos docentes da instituição.
Segundo o representante do comando de greve Alexandre Luppe, estudante do curso de Filosofia da UFABC, o plano de carreira ajudaria a melhorar a situação de alguns cursos da instituição como o de economia, cujo quadro de professores está com apenas 40% dos docentes. “Professores de outras áreas têm quebrado um galho, mesmo sem ter o domínio completo da disciplina”, diz Alexandre.
Além de apoiaram os professores, os alunos da UFABC também participaram do protesto pelos servidores técnico-administrativos da instituição, que aderiram à paralisação no dia 11 deste mês.
Na Unifesp, os estudantes pedem moradia estudantil, restaurante universitário e melhorias estruturais, como novas salas de aula e bibliotecas.
Alunos das universidades e institutos federais reivindicam também o voto paritário para escolha dos novos reitores. Segundo o estudante Alexandre Luppe, na UFABC, apesar de representarem 80% do contingente da universidade, os alunos têm peso de 20% na decisão. Outros 20% do peso ficam para os votos dos servidores técnico-administrativos e a maior parte, 60%, a cargo dos professores.

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