Manifesto do Seminário Regional da Educação do Campo

Manifesto do Seminário Regional da Educação do Campo


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Manifesto do Seminário Regional Preparatório ao I Encontro da Articulação Paranaense Por Uma Educação do Campo[1]

          Em Laranjeiras do Sul, nos dias 27 e 28 de setembro de 2012 no Seminário Regional do Território  Cantuquiriguacu, preparatório ao I Encontro da Articulação Paranaense Por Uma Educação do Campo, escolas do campo, gestores, educadores e estudantes de suas respectivas redes de ensino, militantes de Movimentos e Organizações Sociais e Sindicais do Campo, indígenas, estudantes de cursos de licenciaturas em educação do campo, universidades estaduais e federais, em número aproximado de 250 pessoas, reuniram-se com os objetivos de:  construir uma análise coletiva da situação atual existente na região, a partir de um olhar com foco na relação educação e desenvolvimento dos trabalhadores, formular estratégias comuns de consolidação da Educação do Campo e identificar os desafios à mobilização, construção e fortalecimento da Educação do Campo.

         O Território Cantuquiriguaçu, tem um IDH médio de 0,72, portanto, um dos mais baixos do estado do Paraná, o que dá para a região o lugar de território da cidadania. Esse território é composto por 20 municípios, diferentemente da tendência nacional, concentra uma parcela significativa da população rural, chegando em alguns municípios a ter mais da metade da população que vive  e trabalha no campo. Concentra maior área de Assentamento da América Latina e maior reserva indígena do Estado do Paraná, marco histórico na luta contra o latifúndio, de expressiva simbologia à educação do campo. O território Cantuquiriguaru é banhado por três importantes rios: Cantu, Piquiri e Iguaçu, que inclusive dão o nome ao território, sofre a intervenção das usinas hidroelétricas, sendo estas, no momento, foco de apropriação do capital internacional.

         Este território há 12 anos fez brotar a Carta de Porto Barreiro, e dentre este bojo, a Articulação Paranaense Por Uma educação do Campo, bem como a criação do Universidade Federal Fronteira Sul, inúmeras pesquisas, diversas organizações populares, cooperativas, cursos de graduação e especialização em educação do campo, bem como a criação e construção de escolas nos assentamentos e acampamentos e em outros locais. Contraditoriamente, o território apresenta um dado de aproximadamente 70 % de fechamento de escolas, explicitando que o momento é de luta e que as políticas públicas estão em disputa.

         O seminário, a partir das palestras, debates e reflexões, trouxe um conjunto de informações e dados a cerca do desenvolvimento, que incidem na educação do campo em construção. Pesquisas mostram que o capital se reorganiza e se fortalece. O que era direito passa ser necessidade, tornando-se mercadoria, cuja força  determinante do capital constitui poder ideológico, dita valores e orienta a condução dos processos hegemônicos. O desenvolvimento do campo reafirma-se como um modelo em disputas, com lógicas e interesses divergentes que se confrontam: a do agronegócio, que concebe esse espaço como um lugar de atraso, para o qual modernizar-se significa assumir o projeto do capital, do trabalho assalariado e o controle de mercado. Na contraposição, há a resistência da agricultura camponesa, concebendo o campo como lugar de vida/alimentos, processos produtivos de trabalho, de culturas/identidades e relações mais humanizadas homem-mundo e homem-natureza, que precisa ser fortalecida.

         Desta forma, cientes da força hegemônica do capital e do poder ideológico que o mesmo possui, e com a veemência da luta pela construção coletiva que funda a educação do campo, queremos “denunciar-afirmar”: 

1)    O campo como um espaço de luta, esta travada em nome da vida, da resistência por condições existenciais de morar, trabalhar e viver com dignidade. A construção do projeto de campo requer constante leitura da realidade, envolvimento das comunidade/escola/universidade, cuja reflexão densa precisa fazer conexão orgânica com a realidade concreta e vínculos com outros processos educativos, uma vez que o debate do campo precede o da educação. Processo continuo  de debate  a ser desencadeado na região de modo a assegurar a apropriação da concepção da educação do campo de forma mais abrangente,  capaz de constituir identidade e pertença junto aos sujeitos do campo e as comunidades educativas.

2)    Educação do Campo, em sua materialidade de origem, como instrumento que faz parte de um projeto da classe trabalhadora que está em construção, a qual tem como protagonistas os Movimentos Sociais, impulsionando os próprios camponeses, suas lutas e organizações com suas experiências educativas, embasadas nas teses da emancipação humana.

3)    A Universidade e demais instituições de ensino, que se mantenham em seu caráter público e popular, vinculadas organicamente às

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