Cerca de 200 educadores e educadoras, sindicalizados da APP-Sindicato, participam, neste sábado (19) e domingo (20), do primeiro seminário estadual ‘Por uma escola sem homofobia: avanços e desafios’. De acordo com a coordenação da atividade, o objetivo do seminário é fortalecer, no ambiente escolar, as ações de enfrentamento às diversas formas de violência que atingem os sujeitos e sujeitas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), sejam estudantes, trabalhadores(as) da educação, pais, mães ou responsáveis.
O início da atividade foi marcante, com uma apresentação do ator Rafael di Lari. Em seguida, foi formada a mesa de abertura, que contou com a secretária de Gênero, Relações Étnico-raciais e dos Direitos LGBT da APP, professora Elizamara Goulart, com a presidenta da entidade, a professora Marlei Fernandes de Carvalho, a presidenta da CUT do Paraná, Regina Cruz, o deputado estadual Professor Lemos, o professor Marcos Cruz Alves Siqueira, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Diversidade Sexual da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Edvar Robson Padilha, do Coletivo Estadual de Combate à Homofobia da APP-Sindicato e o professor Tony Reis, membro do Conselho Nacional LGBT e representante do Grupo Dignidade.
De acordo com a professora Elizamara Goulart, a APP tem uma enorme satisfação de abrigar, durante os dois dias, este importante debate. “A escola é um local que reflete tudo o que acontece na sociedade, inclusive os preconceitos e a violência. Mas precisamos estar preparados para lidar com estas situações e, principalmente, devemos fazer a diferença. Quando atuamos para modificar o cenário negativo dentro da sala de aula, podemos ter certeza que esta ação vai transcender os muros da escola e alcançar a comunidade. Queremos uma escola sem homofobia. Os movimentos sociais também lutam, entre outras coisas, por uma escola e um Estado laico. Tudo isso evoca a importância deste debate”, destacou a secretária de Gênero, Relações Étnico-raciais e dos Direitos LGBT do sindicato.
A presidenta da APP lembrou que discussão sobre diversidade é antiga dentro da entidade. “Remonta ao início dos anos 90. E, de lá para cá, o tema ganhou corpo na sociedade, mas isto não significa que a luta acabou. Precisamos brigar por políticas públicas que assegurem direitos. Precisamos ocupar os espaços de debates. A escola não é redentora, ela não vai acabar com os problemas do mundo, mas pode ajudar a cada menino e menina a ter consciência de quão importante é o respeito ao diferente. Esta é a educação libertária a qual Paulo Freire se referia”, enfatizou.
O deputado Professor Lemos reforçou a análise da presidenta da APP, lembrando que foi a atuação do Coletivo de Combate à Homofobia do sindicato que acabou levando a criação de um departamento específico sobre o tema dentro da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Lemos também destacou uma série de propostas, em defesa das minorias, que tem apresentado na Assembleia Legislativa do Paraná, um espaço que, segundo ele, é conservador, mas reflete claramente a sociedade. “Mas, mesmo lentamente, temos avançado. E, como educadores e educadoras, precisamos fazer a nossa parte”, avaliou.
A presidenta da CUT Paraná parabenizou a APP pela iniciativa e destacou que a Central também tem enfrentado o desafio de levar esta discussão para dentro do meio sindical. O representante da UEM destacou a importância de um evento que discute a pluralidade sexual e estimula que estas análises cheguem às escolas. O representante do Coletivo da APP também lembrou do papel da entidade na defesa dos direitos das mulheres, dos negros e negras e das pessoas com deficiência.
Para Tony Reis, o sindicato tem sido, sempre, um parceiro importante na causa contra os preconceitos e homofobia. Ele também apontou a importância do debate sobre o tema na Conferência Nacional de Educação (Conae). “A discriminação mata, e precisamos combater isto. E temos conseguido, aos poucos, alguns avanços, mas precisamos assegurar a todos o direito ao respeito. Não precise que ninguém me aceite, mas quero que me respeitem. E é fundamental que na Conae e no debate sobre o Plano Nacional de Educação, em especial nos debates sobre o Eixo II, asseguremos a nossa contribuição”, afirmou.
Após a mesa de abertura, o coordenador geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação (MEC), o jornalista Fábio Meirelles Hardman, e o secretário de Direitos Humanos da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação(CNTE), Zezinho Prado, falaram sobre os temas “Políticas Públicas de Educação no combate à Homofobia” e “A atuação sindical no combate à Homofobia, enfrentamento à realidade no ambiente escolar”. Veja, abaixo, a programação prevista para a tarde de hoje e para amanhã.
18 de maio – Sábado
12h – Almoço
14h – Continuação do Debate com a Plenária
18h – Encerramento dos debates
20h30 – Atividade Cultural
19 de maio – Domingo
8h30 Trabalho em Grupo por Núcleo Sindical ou Região
10h – Plenária: exposição dos grupos
12h45 – Almoço
14h -Debate e Aprovação do Plano de Ação
15h às 16h – Avaliação e encerramento


















