Simpósio discute Medicalização e sua relação com a exclusão

Simpósio discute Medicalização e sua relação com a exclusão


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Aconteceu hoje (23) na sede na APP-Sindicato o simpósio “Medicalização: nova face do obscurantismo” com a presença da pediatra e doutora em Medicina Maria Aparecida Moyses, professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento foi organizado pelo Núcleo de Curitiba e Região Metropolitana do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

Medicalização

A medicalização é o processo artificial que transforma questões políticas, cultuais, econômicas e sociais em doenças artificiais e em um problema individual, centrado na pessoa. E preferencialmente doenças no plano biológico e mais ainda, as neurológicas, as psiquiátricas, os famosos transtornos mentais. Deste processo decorre a medicação, ou não, mas estas pessoas são tratadas como se tivessem uma doença.

Para a Dra. Maria Aparecida, a medicalização é um problema crescente no mundo todo e na sociedade brasileira ainda mais. “Todos os espaços da vida esta sendo invadido por esse ideário, de que todas as diferenças, todos os problemas, tudo na vida que sai um pouquinho de uma norma extremamente artificial de restrita, é doença”, explica.

A medicalização muitas vezes leva a exclusão. “As pessoas que se comportam de modos diferentes, pensam de modo diferente, aprendem de modo diferente, estão sendo excluídas por uma falsa inclusão criada por um diagnóstico de transtorno. O diagnóstico não inclui, ele faz uma segunda exclusão de alguém que já estava excluído”, conclui Maria Aparecida.

O simpósio

A atividade teve como objetivo divulgar o debate e agregar mais pessoas, buscando romper com a lógica da medicalização e diminuindo com a incidência nas escolas e na sociedade. Este debate já vem sendo realizado nacionalmente de forma organizada desde 2010 quando aconteceu o I Seminário Internacional “A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, em São Paulo. Como ação deste evento, foi lançado o Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

O Fórum tem atuação permanente e sua finalidade é articular entidades, grupos e pessoas para o enfrentamento e a superação do fenômeno da medicalização, bem como mobilizar a sociedade para a crítica à medicalização da aprendizagem e do comportamento.

Segundo a secretária educacional da APP Walkíria Olegário Mazeto, o debate da medicalização se faz importante para a APP quando uma das pautas é a superação da sociedade capitalista e de todas as suas consequências colocadas.

“A escola está diretamente ligada a essa sociedade. No caso específico, nós temos um debate muito grande dentro das escolas. Porque hoje há um numero muito alto de alunos que são medicados, muitas vezes dentro da escola, ou o processo de aprendizagem hoje é colocado como responsabilidade apenas do aluno. Se ele aprendeu ou não aprendeu o fracasso ou sucesso é culpa dele, como se todas as demais relações não tivesse responsabilidade com isso”, explica a secretária. 

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