Para brasileiros, falta de segurança é o maior problema na escola


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Entre tantos problemas das escolas brasileiras, a insegurança que ronda as instituições é o fator que mais preocupa a população, mostra pesquisa do Instituto Data Popular que será divulgada hoje. De acordo com o levantamento, a cada 10 brasileiros(as), sete acreditam que há muita violência nas unidades de ensino público. Para Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a desvalorização dos(as) docentes é uma das causas para os conflitos na comunidade escolar. O desprestígio pela carreira de professor e professora também aparece no estudo. A maioria dos entrevistados, 84%, disse não ter vontade de dar aulas (veja o quadro).

Uma das perguntas do levantamento foi: “qual é o principal problema da educação?”. Os apontamentos mais comuns foram falta de segurança (28%) e alunos(as) desrespeitosos(as) (15%). O controle da violência também foi mencionado na questão sobre o fator mais importante para que a escola seja de qualidade. Em primeiro lugar, a população pediu por segurança (27%) e depois pela valorização de professores(as) e funcionários(as) (17%). O Data Popular ouviu 3 mil pessoas, durante setembro, em mil municípios nas cinco regiões do país.

Especialistas avaliam que os centros de ensino não estão imunes ao aumento da violência geral do país. Pesquisadora do tema há mais de dez anos, Miriam Abramovay diz que não há estudos atuais que tratem de dados de violência nas escolas. “Se você pegar os casos de violência em geral ou de mortalidade dos jovens, a situação é cada ano pior. Então, é óbvio que por um lado a escola recebe essa influência, mas por outro ela também produz violência, que são muito específicas do âmbito escolar”, explica. Segundo ela, os conflitos internos acontecem tanto na relação aluno(a)-professor(a), como entre os estudantes e os próprios(as) funcionários(as) adultos(as).

Há três meses, Juliana*, 14 anos, aluna de uma escola pública no Plano Piloto, conta que foi ameaçada depois que terminou o namoro com um colega de sala. “Fiquei com medo porque um dia ele parou de falar comigo. No outro, ele trouxe um canivete e queria me matar”, lembra. A diretoria do colégio entrou em contato com os pais e o menino foi expulso. Mãe de estudantes na mesma escola, a Keila de Oliveira, 35 anos, diz temer assaltos nas redondezas da instituição. “Eu mudei de horário da minha aula, justamente, para levar e buscar meus filhos todos os dias. Muitos são assaltados inclusive por outros alunos”, conta.

Professores(as) –Roberto Leão sugere que o conflito entre alunos e mestres é inflamado pela desvalorização dos professores e professoras. De acordo com a pesquisa, 76% acreditam que a profissão é menos valorizada pela sociedade do que merecia. Enquanto 31,8% dos entrevistados(as) considera o ofício de professor(a) o mais importante para que o país tenha um bom futuro, apenas 15% gostariam de virar educador(a). “Essa é uma profissão muito devalorizada, os jovens não querem trabalhar com isso. E também não respeitam os(as) professores(as), principalmente, na era da informatização. Os(as) professores(as) deixaram de ter o saber”, diz professora de pós graduação da PUC Minas, Regina de Paula Medeiros.

* Nome fictício em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente

Veja o principal problema da educação pública no Brasil, segundo a pesquisa:

Falta de segurança na escola/violência 28%
Alunos desrespeitosos 15%
Professores desmotivados 9%
Professores ganham pouco 9%
Alunos não aprendem 6%
Professores mal preparados 6%
Falta de infraestrutura 6%
Não repetir de ano 4%
Falta de professores 3%
Outros 8%
Não sabe ou não respondeu 1%

Fonte: CNTE | Correio Brasiliense