Paulo Freire pode ser Patrono da Educação


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(Agência Câmara) – O educador Paulo Freire poderá ser declarado Patrono da Educação Brasileira. O título depende da aprovação, pelo Congresso, do Projeto de Lei 5418/05, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Ela lembra que Paulo Freire pregava a necessidade do diálogo entre mestres e alunos. O processo educativo, segundo o educador, devia partir da realidade da vida cotidiana das pessoas.
“Uma das primeiras medidas adotadas por Freire foi abolir as cartilhas padronizadas e firmar o conceito das palavras geradoras”, afirma Erundina. Por esse processo de ensino, a palavra era apresentada e suas sílabas eram separadas. Em seguida, mostravam-se os seus diferentes sons. A partir daí, os alunos deveriam formar palavras com as novas sílabas.
O educador
Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife (PE), em 1921. Iniciou o curso de Direito aos 22 anos. Depois de formado, não chegou a exercer a profissão. Em 1960, o educador desenvolveu um método de alfabetização de adultos, relacionando o aprendizado à realidade do trabalhador.
Paulo Freire colocou a experiência em prática três anos depois. Em 1963, ele foi responsável pela alfabetização de 300 camponeses em apenas 45 dias. Durante o governo de João Goulart (1961-1964), coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, com o objetivo de alfabetizar 5 milhões de pessoas, para que pudessem participar das eleições. Na época, apenas pessoas alfabetizadas podiam votar.
Interrupção
O trabalho de Paulo Freire no Brasil foi interrompido com o início do regime militar. Ele foi preso em 1964 e exilado no Chile, onde escreveu sua obra mais conhecida: Pedagogia do Oprimido. Durante o exílio, atuou como professor na Universidade de Harvard e como consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O educador retornou ao Brasil em 1979, quando passou a lecionar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Paulo Freire, que morreu em 1997, publicou mais de 40 livros e teve sua obra traduzida em 28 línguas.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.