Para docentes carreira é marcada por lutas, conquistas e formação

Para docentes carreira é marcada por lutas, conquistas e formação


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Nesta data, professores destacam importância da participação política e nas lutas da categoria e da formação do profissional
15/10/2008 – De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica 2007, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP/MEC, os 5.564 municípios brasileiros têm hoje cerca de 2,6 milhões de professores, só na educação básica. Quase 80% trabalham na escola pública. Ensinam crianças em creches, pré-escola, salas de alfabetização, na educação profissional e de jovens e adultos e também no ensino fundamental e médio. Na passagem de mais um Dia do Professor, a APP-Sindicato entra em contato com alguns/as professores/as atuantes, aposentados e dos que estão ingressando na carreira para mostrar os desafios da carreira.
Maioria absoluta na carreira, a mulher é que mais assume a profissão de docente. Responsável pela carreira sem deixar de lado a família, recentemente as mulheres brasileiras conquistaram a licença-maternidade ampliada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no início de setembro o projeto que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses. A lei, que beneficiará muitas professoras, ainda não é realidade no Paraná, no entanto é uma luta antiga da categoria que será reforçada pela nova Secretaria de Gênero e Igualdade Racial da APP-Sindicato.
A responsável pela nova pasta, Lirani Maria Franco, afirma que para conquistar leis como essa é fundamental a participação e atuação política dos professores e por isso deve ir além da luta por questões salarial. ‘Temos tido exemplo de que professores organizados e mobilizados propõem e elaboram propostas que vêm ao encontro com a melhoria da educação. Os nossos alunos só vão aprender bem se tiverem condições de vida dignas e isso passa pelas políticas públicas organizadas pelos governos, mas também pela melhoria das condições de trabalho do professor’, pontua.
Para a secretária de Aposentados, Sabina da Silva Turbay, sindicalizada há mais de 50 anos e com participação ativa durante todo esse período, lutar pela melhoria da educação é uma trabalho permanente dos professores compromissados com a educação pública de qualidade. ‘Falar do dia do professor é voltar a um passado sempre de lutas e conquistas. Temos muito para avançar ainda, mas nunca podemos deixar de acreditar que se conquistamos os nossos direitos foi por meio da participação contínua, pois é dessa forma que as mudanças se efetivam’, declara.
Ingresso na carreira – Os novos professores também reconhecem que a carreira é repleta de desafios. Aprovado no último concurso do Magistério do Paraná, para dar aulas de Língua Portuguesa, Anderson Ferreira de Deus, de 25 anos, lembra que diante do desemprego, o concurso público dá estabilidade, mas não dispensa a luta coletiva pela melhoria da educação pública. ‘A APP sozinha não vai mudar o mundo. É preciso a nossa participação para uma melhor qualidade da educação pública. Temos que lutar pela saúde do professor, pelo menor número de alunos por sala de aula, por exemplo, pois isso significa mais qualidade e em paralelo menos desgaste profissional e problemas de saúde decorrentes. Quem tem de fazer essa luta somos nós por que o Estado não vai fazer mais concursos para resolver problemas como este’, enfatiza.
Semelhante opinião tem o professor Nilton A. Stein, que desde 2002 é concursado, mas também assumirá um novo padrão no Estado para dar aulas de Filosofia. Para ele, a realidade atual mostra que os profissionais estão mais preocupados com salários do que com as condições de trabalho. “Os professores pensam que com salários altos todos os problemas se acabam. Salários dignos são essenciais, pois além de uma condição de vida digna, pode proporcionar aos profissionais da educação condições da formação e da informação perante a nossa realidade social. Mas precisamos lutar por melhores condições de trabalho, por exemplo, ter mais hora-atividade para podermos preparar aulas com qualidade, fazer uso das novas tecnologias, que exigem um maior tempo, tempo para leitura que quase não temos. Também precisamos da valorização da sociedade e, neste ponto, o sindicato tem um papel muito importante, pois deve informar a sociedade das condições que se encontram os profissionais da educação e cobrar a sua valorização’, destaca.

Nilton defende ainda a formação do professor. Para ele, a formação é fundamental para construção de uma sociedade igualitária e vê na educação um meio para alcançar está possibilidade. ‘Depois da publicação da nova LDB, em 1996, muitas instituições de ensino superior privadas lançaram cursos de formação de professores. Com a visão do lucro imediato, não importaram com a formação do profissional para o exercício do magistério, com a formação política, com visão de mundo e de seu real papel na construção de uma sociedade igualitária. O sindicato tem um papel importante na formação deste profissional, uma vez que deve cobrar do Estado a realização de cursos de formação continuada para melhorar a qualidade do ensino público’, finaliza.
Curiosidade sobre o Dia do Professor– Em 1827, um decreto imperial de D. Pedro 1º, em 15 de outubro daquele ano, definiu como deveriam ser as Escolas de Primeiras Letras em cidades, vilas e lugarejos de todo o Brasil. Essa lei dizia, entre outras coisas, o que deveria ser ensinado para meninos e meninas. Em 1963, um decreto do presidente João Goulart instituiu o dia 15 de outubro como dia do professor.

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