57 anos dos horrores da ditadura. Uma data para não esquecer!

57 anos dos horrores da ditadura. Uma data para não esquecer!

Durante a ditadura militar, o brasil enfrentou o período mais nefasto da história, que custou muitas vidas de trabalhadores(as) que lutavam pela democracia

Há 57 anos atrás, o Brasil enfrentou um dos períodos mais sombrios de sua história, sendo marcado pela perseguição política e brutalidade àqueles que lutavam pela garantia de direitos e democracia para os(as) trabalhadores(as). Exatamente no dia 31 de 1964, o alto comando do Exército Brasileiro enviou tanques de guerra ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, para depor o presidente João Goulart, o Jango, que governou entre 1961 e 1964.

A partir deste ato de ruptura com a democracia, o Congresso Nacional foi fechado e foi imposta uma nova Constituição, que entrou em vigor em janeiro de 1967, a qual foi instaurada com a justificativa de “eliminar a ameaça comunista” e acabar com a representação de setores progressistas da sociedade. Este golpe, que durou 21 anos, só foi possível após o apoio de setores golpistas do Exército Brasileiro e setores da burguesia nacional, que tinham interesses em reformas políticas, principalmente retirar as que garantiam direitos básicos para a população mais carente.

Com a anulação dos direitos políticos, além do desprezo pelos direitos humanos, trabalhadores(as) que lutavam pela democracia, artistas, além de sindicalistas e líderes de movimentos sociais que defendiam os direitos dos(as) trabalhadores(as) e das populações mais vulneráveis, sofreram uma dura perseguição política, o que manchou a história brasileira de sangue. Prisões arbitrárias, torturas e assassinatos se tornaram instrumento político e até hoje rondam o imaginário de setores que desprezam a democracia.

Em 2016, quando a ala conservadora e golpista brasileira iniciou o processo de golpe de estado, utilizando desta vez o aparato jurídico e midiático para destituir a então Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff (PT), ficou nítida a escalada radical conservadora, a mesma que se beneficiou dos fétidos porões da ditadura. Na época deputado, Jair Bolsonaro (Sem Partido), que já estava preparando sua escalada nefasta para a presidência, votou pelo impeachment com uma saudação a Carlos Alberto Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército e um dos torturadores de Dilma.

Este mesmo Jair Bolsonaro, que hoje presidente, ameaça brasileiros(as) de forma autoritária e sob uma montanha de cadáveres, construída após uma gestão desastrosa da pior pandemia já enfrentada no Brasil. Em entrevista à Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, cujo pai foi uma das vítimas da ditadura, afirma que o que atual presidente – Jair Bolsonaro, militar da reserva, que chegou a ser expulso do Exército – tenta fazer, inclusive ao querer ‘comemorar’ o que os defensores do período chamam de revolução, é reescrever a história.

“O Brasil vive um momento muito triste. As manifestações a partir de 2013 demonstraram uma insatisfação e não entendíamos o motivo, já que na democracia as coisas vinham melhorando em termos de inclusão social. A insatisfação com a classe política gerou um caldo de cultura que levou ao poder essa experiência frustrante que é Bolsonaro”, diz.

A secretária de Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uheara, enfatiza ainda que a política de Bolsonaro e sua base remonta os períodos nefastos, sendo as principais similaridades os ataques às liberdades democráticas, à cultura, a aceleração de entrega de riquezas do país, a quebra da democracia e, em especial, os ataques aos(às) trabalhadores(as).

“Durante a ditadura eles caçaram parlamentares, fecharam o Congresso porque não aprovava projetos que queriam e hoje a gente vê os inúmeros ataques de Bolsonaro às instituições democráticas como o próprio Congresso, também ao STF, justamente porque se opõem à sua insanidade”, diz a dirigente.

“Meu Exército” e a crise institucional

Se a mentalidade autoritária, que é herança direta da Ditadura Militar no país continua viva e ameaçando a democracia no Brasil, o fetiche pelo poder militar de Jair Bolsonaro se mostra a cada dia mais descontrolado, a ponto do presidente propor utilizar o Exército contra a população em um estado de Sítio. 

Bolsonaro demitiu seu ministro da defesa, Fernando Azevedo e Silva, nesta segunda-feira (29), por ter uma conduta de diálogo com os outros poderes e por não ceder às suas ‘vontades’ como manifestar repúdio ao ministro do STF, Edson Fachin, por ter anulado as condenações do ex-presidente Lula, no âmbito da Lava Jato.

Nesta terça-feira (30), os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, colocaram seus cargos à disposição, também por discordarem da postura do presidente.

A crise institucional nas Forças Armadas hoje, que têm como pano de fundo a ânsia de poder de Bolsonaro, para Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, é preocupante por um lado, porque “demonstra a intenção de afastar generais legalistas que defendem o farol constitucional das Forças Armadas”.

Por outro lado, prossegue Santa Cruz, mostra uma fragilidade do presidente que tem apoio apenas oficiais de baixa patente, sargentos, cabos, também do “baixo oficialato da PM”. Essa nova crise, diz, é um novo elemento na conjuntura, mas pode representar uma esperança já que há um papel de resistência nas Forças Armadas.

Ditadura nunca mais

Este período obscuro que marcou a história brasileira não pode se repetir e por isso é importante que toda a sociedade civil organizada, junto com entidades sindicais, movimentos sociais e partidos de oposição tem como tarefa a resistência contra qualquer atentado ao estado democrático de direito.

É importante que a história não se repita e que as próximas gerações conheçam a verdade sobre a Ditadura Militar, que de acordo com a Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituída pelo governo Dilma em 2011, ceifou 434 mortes e desaparecimentos, com a possibilidade de ter um número ainda maior.  Todos(as) devem manifestar total repúdio ao golpe de 64.