18ª Jornada de Agroecologia teve debate sobre saber agroecológico e resistência na educação

A abertura do Espaço “Conhecimento em Movimento – em Defesa da Escola Pública” aconteceu nessa sexta, 31

Unir campo e cidade no fortalecimento do saber agroecológico dentro das escolas e universidades foi o tema do debate que abriu o Espaço “Conhecimento em Movimento – Em defesa da Escola Pública”, dentro da programação da 18ª Jornada de Agroecologia, que acontece até domingo, em Curitiba.

Educadores do campo e da cidade presentes participaram também da mostra de projetos de pesquisa e extensão das universidades, na Praça Generoso Marques, centro de Curitiba.

Representantes da APP-Sindicato, UFPR, da Articulação Paranaense por um Educação do Campo e do MST abriram o evento defendendo a união do campo e da cidade e do saber cientifico com o saber dos povos como caminhada a ser percorrida na defesa de um projeto alternativo ao capitalismo. E, para aprofundar a temática, Ana Chã, do MST, o agroecologista Luiz Tardin (MST) e a professora Roseli Caldart, do Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC), realizaram o debate “Agroecologia: cultura e ciência popular na resistência dos Povos no Território”.

Para Tardin, a dicotomia entre saber científico e o sabor dos povos, o chamado “saber milenar”, é antiga, e precisa ser superada. “A agroecologia é uma das respostas radicais, pois organiza e apresenta para a sociedade um conhecimento historicamente produzido pelo homem na sua relação com a natureza. A agroecologia se origina nessa larga trajetória dos criadores e recriadores da agricultura, os agricultores.”

A inserção do conteúdo agroecológico nas escolas e nas universidades, portanto, como saber científico, é algo ainda a ser construído. Para a professora Roseli, ainda é preciso unir todos na construção de uma metodologia da agroecologia para a educação formal:

“É preciso uma agenda coletiva nossa para confrontar as atuais organizações curriculares, para que possamos estabelecer uma relação orgânica da escola com a agroecologia. É preciso chamar isso de um projeto da escola em defesa da vida.” Segundo Roseli, existe hoje, de um lado, um projeto para devastação da vida e de outro, de alienação sobre isso. “Para combater aqueles que estão alienados em relação ao que está acontecendo, não são palavras que o convencerão. Mas, sim suas necessidades, por exemplo de viver.”

Ana Chã, integrante do MST, iniciou sua fala com o poema “Meu povo,” de Ferreira Gullar. Ao declamar o trecho  “Meu povo em meu poema se reflete como espiga e se funde em terra fértil”, chamou a atenção sobre a importância de se relembrar que a realidade, infelizmente, não se parece mais com o poema.

“Hoje estamos lutando por este solo fértil, por essa espiga de milho saudável”, afirma. Ana disse que, para quem está diariamente na agroecologia, a relação desta com a ciência e cultura é evidente. “Mas, estamos vivendo numa conjuntura difícil que o óbvio precisa ser falado. E, indico aqui como o melhor caminho relembrar que a agricultura é uma ação humana, é quando o homem se dá conta que pode produzir seu próprio alimento, sua condição de vida e por isso é parte da cultura humana”, convoca. Como resistência, finaliza, “é preciso se valer da cultura agroecológica também como valor espiritual, memória e subjetiva, que fortalece nossa luta e no move.”

Projetos de extensão em praça pública

O espaço “Conhecimento em Movimento – Em defesa da escola pública” conta com a mostra de projetos de pesquisa e extensão de diferentes universais paranaenses e também de Santa Catarina. Temas como educação ambiental, economia solidária, educação do campo, sementes crioulas, entre outros fazem parte da exposição que acontece no entorno da Praça Generoso Marques, no centro de Curitiba.

Fonte: Brasil de Fato