15 de Outubro: muito verniz, pouca valorização | Artigo de Cláudia Gruber APP-Sindicato

15 de Outubro: muito verniz, pouca valorização | Artigo de Cláudia Gruber

Apesar das comemorações, pouco ou nada se fala em condições dignas de trabalho, remuneração salarial, formação, carreira, capacitação e demais pautas

por Cláudia Gruber, secretária executiva de Comunicação da APP-Sindicato

Mais um 15 de outubro passou. Nossas escolas são decoradas, lembrancinhas são compradas, cafés, almoços ou jantares especiais são feitos. Tudo para homenagear aqueles(as) que fazem a educação acontecer.

Ou muito verniz para tentar dar uma aparência melhor, mais “ajeitadinha” a uma profissão que nunca foi devidamente valorizada e reconhecida como primordial tanto pelos governantes quanto pela sociedade.

Ah! Na pandemia, fomos exaltados(as) em alguns momentos por pais e mães que tiveram que assumir mais de perto a educação de seus filhos. Lembram quantas postagens de enaltecimento e agradecimentos nas redes sociais?

Mas, se o professorado  resolve ir às ruas, paralisar um ou mais dias de aula por melhores condições de trabalho, a revolta e as críticas chegam com a rapidez da luz.

Quem nunca ouviu comentários de que temos muitos dias de férias no ano? Que emendamos feriados? E outras situações que só depreciam nosso trabalho? Pois é! 

Então por que se comemora essa data? 

Você sabe como ela surgiu?

A história nos leva lá para o século XIX, quando Dom Pedro I criou uma lei imperial, em 15 de outubro de 1827, sobre o ensino elementar no Brasil: a chamada Escola das Primeiras Letras.

Por essa lei, todas as cidades do novo país deveriam ter escolas de ensino básico, com grade de disciplinas e professores assalariados. Mas, a lei não foi cumprida como deveria.

Só em 1947, professores de São Paulo, tendo Salomão Becker à frente, resolveram resgatar essa data e organizaram um dia de parada das aulas, com comemorações e planejamento para o próximo ano letivo.

A repercussão na comunidade foi tamanha que, no ano seguinte, o estado de São Paulo oficializou a data de 15 de outubro como feriado escolar. Na sequência, Santa Catarina fez a mesma coisa.

Já nacionalmente, foi somente em 1963, por um Decreto Federal (52.682/63) que a data tornou-se feriado escolar nacional sancionado pelo então presidente João Goulart, o Jango: vejamos o Artigo 3º: “Para comemorar condignamente o dia do professor, aos estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”. (grifos nossos)

Décadas se passaram e a data permanece em pé, acontecendo as tradicionais comemorações, mas pouco ou nada se fala em condições dignas de trabalho, remuneração salarial, formação, carreira, capacitação e demais pautas pelas quais os docentes deste país insistem e insistirão sempre em defender. 

Não adianta nos oferecerem maçãs se elas estiverem apodrecidas. 

 

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