Nota da CNTE: O ataque à escola de Suzano e o incentivo à violência


Em nota oficial, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) manifestou pesar pelo ataque a tiros contra uma escola pública de Suzano (SP), ocorrido nesta quarta-feira (13) e que vitimou estudantes e funcionários. Na publicação, a Confederação também condenou o incentivo à violência patrocinado por agentes políticos eleitos. “O ataque realizado nos remete à reflexão sobre a violência já incentivada na campanha eleitoral para presidente, quando o então candidato Jair Bolsonaro e seus seguidores, faziam gestos de armas atirando”, diz a nota.

Na manhã de hoje, a APP-Sindicato também se manifestou publicamente sobre o caso, lamentando a violência e se solidarizando com as vítimas, comunidade escolar e seus familiares. A seguir, confira a íntegra da nota da CNTE:

O ataque à escola de Suzano e o incentivo à violência

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, manifesta sua consternação ao ataque ocorrido na Escola Raul Brasil, em Suzano/SP.

Juntamente com o sentimento de solidariedade com educadores/as e estudantes, e suas famílias, o ataque realizado nos remete à reflexão sobre a violência já incentivada na campanha eleitoral para presidente, quando o então candidato Jair Bolsonaro e seus seguidores, faziam gestos de armas atirando.

Desde então, violência se agravou no país, ampliando seus tentáculos sendo que sua manifestação se tornou mais forte após a posse do atual presidente.

As expressões constantes, sejam em gestos ou em palavras, ratifica ideia de que solução de conflitos e diferenças se dão pela violência.

Os exemplos são desconcertantes: pessoas assassinadas, uma onda de feminicídios, ataques homofóbicos, homens e mulheres que lutam por um país melhor indo embora em virtude de ameaças contra suas próprias vidas e as de seus familiares.

O ataque à Escola de Suzano não está descolado da violência institucionalizada no Brasil. As pessoas, por meio de gestos realizados pelo Governo, seus eleitores e seus admiradores, se sentem autorizadas a agredir e a matar, semeando um rio de sangue pelo país afora.

Como se isso não bastasse, Jair Bolsonaro publica Decreto que altera regras para a posse de armas, ampliando, de modo ilegal e inconstitucional, as hipóteses de registro, posse e comercialização de armas de fogo, além de comprometer a política de segurança pública – direito fundamental de todas as pessoas, especialmente no tocante ao direito à vida.

As ações do atual governo e seus asseclas incentivam a violência. E os mais atingidos são pobres, negros, mulheres, homossexuais. Enfim, as pessoas que já carregam as mais diversas discriminações são afetadas de forma direta.

E, mais diretamente na educação, além da violência física vivenciada por muitos/as professores/as, o Ministério da Educação orienta alunos que filmem as aulas com o intuito de cercear a liberdade de cátedra. A censura também é uma forma de violência.

E mais, a militarização das escolas é apontada como solução para a violência que acontece na comunidade escolar. A violência não é gerada na escola. A violência nesse espaço é consequência do ambiente comunitário e social em seu entorno.

O círculo vicioso da violência no Brasil precisa ser rompido. O princípio de seu combate à se dá com políticas públicas para diminuir a desigualdade social, ao contrário do que Bolsonaro e seus ministros têm feito.

Pelo fim da violência no país, nas comunidades e na escola!

Por políticas públicas que combatam a violência em sua origem e não em suas consequências!

Por políticas públicas que diminuam as desigualdades!

Por uma escola pública democrática, de qualidade e com liberdade de cátedra!

Brasília, 13 de março de 2019.

Direção Executiva