Manifesto do Conselho Estadual da APP-Sindicato

PROFESSORES E PROFESSORAS, FUNCIONÁRIOS E FUNCIONÁRIAS DE ESCOLA NA LUTA PELA DEMOCRACIA NESTE SEGUNDO TURNO ELEITORAL 2018

Foto: APP-Sindicato

Curitiba, 11 de outubro de 2018.

A APP-Sindicato nasceu em 1947, após o fim da segunda guerra mundial, para organizar os(as) trabalhadores(as) na construção de uma sociedade democrática e de paz. Contra todas as adversidades, resistimos aos anos da ditadura e fomos às ruas exigir abertura política e eleições diretas em 1984, um grande passo para a redemocratização e que garantiu avanços importantes com a Constituição de 1988. Nossa história é de luta e resistência, para que todos e todas possam viver em uma sociedade de direitos e de respeito.

Nesse momento histórico em que a democracia está em risco e o nosso direito de ensinar sob ameaça, a APP-Sindicato vem reafirmar, de forma contundente, suas defesas históricas em favor da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas, do serviço público e, principalmente, da educação pública de qualidade. Somos contra quaisquer expressões de ódio, de autoritarismo, de fascismo e do explícito neoliberalismo ultraconservador representadas no candidato Jair Bolsonaro. Como Deputado Federal, Bolsonaro votou a favor da PEC do congelamento dos investimentos sociais (EC 95), da Reforma do Ensino Médio (Lei 13415/2017) e da Reforma Trabalhista (Lei 13417/2017). É favorável à Reforma da Previdência do governo Temer, que na prática representa o fim da própria aposentadoria. É contra à estabilidade do(a) servidor(a) público(a) e planos de carreira, o que representará demissões em massa. Seu programa educacional traz a educação à distância desde o Ensino Fundamental e Ensino Médio, a lei da mordaça, bem como a privatização do ensino via vouchers escolares (consiste na entrega pelo Estado de valores únicos para os pais escolherem uma escola privada para seus filhos). Manifesta posições de discriminação e preconceito contra mulheres, negros(as), indígenas e LGBTIs, sendo a favor da tortura como método de gestão do estado. Sua atuação pública, desde o início, é na defesa de ideias vinculadas ao atraso, como a retirada do pensamento de Paulo Freire na educação. Utiliza-se de mentiras para desqualificar permanentemente a atuação dos(as) profissionais da educação, como a famigerada inverdade relacionada ao “kit gay”, que tantos desgastes tem promovido para o interior do trabalho escolar. Tal posição ignora, por exemplo, a violência contra as mulheres, cujo conceito e cultura deve ser enfrentados como currículo escolar desde a educação infantil.

Nesse sentido, o Conselho Estadual da APP-Sindicato, reunido em Curitiba no dia 11 de outubro de 2018, soma-se às forças democráticas nacionais nesse segundo turno das eleições presidenciais para afirmar seu apoio e participação na defesa da candidatura do campo democrático representado por Fernando Haddad e sua vice Manuela D’Ávila. Oposto ao que propõe Bolsonaro, Haddad comprometeu-se com a manutenção da democracia e direitos sociais, além da defesa da educação pública e do serviço público, inclusive com financiamento adequado para sua manutenção e ampliação. Em seu plano de governo consta a revogação das leis que retiram direitos da classe trabalhadora (Reforma Trabalhista, Lei das Terceirizações e Emenda Constitucional 95) e já se manifestou contrário a Reforma Previdenciária do governo Temer.

Não há resistência sem luta e ambas necessitam do compromisso histórico da classe trabalhadora. Não há tempo a perder! Ocupemos as ruas sem medo, na defesa da democracia, dos direitos trabalhistas, da educação pública e da solidariedade humana. Os nossos 71 anos de existência nos balizam e impulsionam a mantermo-nos organizados(as) para os enfrentamentos que este tempo exigirá de nós e assim restabelecermos a democracia. Os sindicatos são instrumentos de luta fundamental na defesa dos(as) trabalhadores(as).

Portanto, convocamos todos e todas para fortalecerem a APP-Sindicato. Por isto, você que ainda não é sindicalizado(a), venha reforçar essa luta legítima com sua sindicalização. Por último, convidamos para que no dia 28 de outubro expressem o compromisso político coletivo com as forças democráticas nacionais no voto em Haddad e Manuela.