Grafite transforma muro da sede estadual da APP-Sindicato em obra de arte

Artistas pintaram desenhos que retratam valores universais como a educação, igualdade e direitos humanos

Foto: APP-Sindicato

Uma aproximação com artistas independentes participantes de movimentos sociais está transformando uma parede da sede estadual da APP-Sindicato, em Curitiba, em um grande painel de arte. O muro localizado de frente para a porta principal de acesso ao prédio, que antes tinha só um tom de cor, ganhou vida e uma nova identidade através do grafite.

Para o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, a atividade valoriza a arte como processo educativo e transmite a mensagem de que a mudança é possível. “O grafite é uma expressão importante de denúncia e anúncio das transformações que todos nós buscamos para a sociedade que, infelizmente, ainda é muito desigual e violenta”, comentou.

O trabalho foi iniciado paralelamente às atividades do Seminário Estadual do Sindicato, em novembro de 2018. Com o grafite, o muro que servia apenas como estrutura de tijolos para delimitar os limites do terreno, ganhou novas funções, um convite para a reflexão sobre a luta por direitos, igualdade e educação, e também tem sido utilizado por visitantes e frequentadores(as) do Sindicato como paisagem para fotografias.

O professor de Geografia e diretor-auxiliar do Colégio Estadual do Paraná, Eduardo Gonçalves, aprovou a iniciativa. “Vejo a arte como um meio de chamar a atenção do conjunto da população e dos poderes para a realidade de um povo que muitas vezes passa despercebido por não estar nos grandes meios de comunicação”, disse.

Parceiros de luta – Os(as) artistas que participam da ação não estão vinculados(as) a algum movimento social específico, mas foram indicados(as) pelo Núcleo Periférico, um coletivo de jovens que se organiza a partir de várias manifestações artísticas. Veja abaixo o que alguns(algumas) dizem sobre as pinturas que criaram na APP-Sindicato.

 Cleverson Pacheco relata que buscou representar a inclusão das minorias, a diversidade, dar visibilidade para pessoas que não se vêem representadas nas mídias tradicionais. “O muro é minha plataforma de diálogo e protesto. No meu desenho, as pessoas estão se  encontrando. Hoje em dia falta isso, encontrar-se humano no outro”, disse.
   Julieta Pietra contou que o objetivo da pintura que desenhou é dar visibilidade ao feminino e destacar o poder transformador da  educação. A jovem diz que o convite da direção do Sindicato foi recebido com alegria, pois compartilha da luta pela igualdade, efetivação  de direitos e defesa das educação pública em suas atividades sociais.
 Leonardo Zanin diz que seu grafite teve a intenção de destacar a resistência dos educadores e educadoras paranaenses na defesa da  educação pública. No desenho de uma árvore que lembra um punho fechado, segundo o artista, alguns elementos também representam  escudos utilizados por policiais, uma referência ao massacre do dia 29 de abril de 2015.

 

:: Grafite é cultura, é expressão, manifestações com olhares artísticos

A arte do grafite e sua a importância merece ser destacada e respeitada, pois comunicar-se em desenhos e traduzir a milhares de olhares a mensagem que está querendo passar, certamente requer estudos, dom, criatividade, entre outros talentos de cada pessoa. Não é simplesmente jogar um balde de tinta numa parede. Do traço à criação, o mundos nos permite pegar carona na viagem de cada artista que se manifesta.

O grafite faz parte da história e seu aparecimento é marcado por volta de 1970, em Nova Iorque (EUA). No Brasil, a inserção ocorreu no final de 1970, em São Paulo (SP). Assim, das marcas nas paredes por jovens chegou-se para a evolução com as técnicas e avanços, prevalecendo a relação com os vários movimentos sociais, enfatizado pelo hip-hop, que reflete inúmeras vezes a realidade vivenciada no dia a dia. Não é simplesmente um ato de rebeldia, e sim uma maneira de resistir aos padrões impostos.