Governo Richa promove um rombo na Paranaprevidência

O Fundo de Previdência deveria ter R$14 bilhões, mas está pela metade

Foto: Comunicação APP-Sindicato

O dia 29 de abril de 2015 ficou marcado na história da educação paranaense. O massacre promovido pelo governo Beto Richa (PSDB), que deixou mais de 200 feridos, não foi a única violência ocorrida naquele dia.

Enquanto os(as) educadores(as) apanhavam da polícia no Centro Cívico, os(as) deputados(as) da base governista aprovavam o projeto de lei nº 252/2015, que permitia a retirada de aproximadamente de R$ 140 milhões por mês do Fundo de Previdência. O dia 29 ficará marcado também como o início de um rombo na previdência dos(as) servidores(as).

Quase três anos depois, R$6,1 bilhões foram descapitalizados do Fundo Previdenciário, graças à segregação de massa feita pelo governo. E os números não param por aí: a contra partida patronal de inativos e pensionistas também não está sendo feita. São mais de R$304 milhões que não foram pagos pelo Estado. Além disso, a taxa de administração devida ao Fundo de Previdência soma R$ 89 milhões, e mais créditos a receber computados em mais de R$ 166 milhões.

No total, são aproximadamente R$6,7 bilhões a menos no Fundo de Previdência. Esses dados indicam um rombo na Paranaprevidência que, atualmente, cobre 106 mil servidores(as) paranaenses. “O governo está inviabilizando o futuro da Paranaprevidência. Este é um fundo criado para ter uma solvência de 30 anos. Se continuar do jeito que está, de 15 a 18 anos o Fundo não terá recursos suficientes para pagar os aposentados”, destaca o economista Cid Cordeiro.

Com isso, o dinheiro dos(as) servidores(as) caiu pela metade. “O Fundo é menor do que deveria. Hoje deveria estar com 14 bilhões de reais, mas está com a metade. A ausência de contribuição patronal sobre os inativos e o não pagamento da taxa de administração também é um agravante. Tudo isso reduz o tempo de vida sustentável do Fundo. Vai chegar o momento em que não haverá como pagar as aposentadorias. Se hoje temos 106 mil servidores, a expectativa é que, nos próximos 10 anos, 60% dos trabalhadores atuais se aposentarão”, detalha Cid.

A APP-Sindicato já denunciava, antes do massacre do governo, as intenções de Beto Richa. “O governo alegava necessitar de um alívio no caixa do Estado, mas decidiu sacrificar a nossa aposentadoria. O caminho escolhido por Richa coloca os servidores em uma situação que não pode se sustentar no futuro próximo. A nossa previdência está sendo colocada em risco”, explica o presidente da APP, professor Hermes Silva Leão.

Violência sem medidas – enquanto os deputados aprovavam a maldade de Beto Richa, os educadores apanhavam em praça pública. A violência vinda de todos os lados vitimou mais de 200 educadores(as). A APP-Sindicato já ganhou dezenas de ações a favor dos(as) professores(as) e funcionários(as) que foram feridos pela polícia. Ao todo, mais de 200 ações tramitam na justiça.  Acompanhe o andamento das demais ações, clique AQUI.

Confira o documentário “Luto pela Educação – Greve Geral dos(as) educadores(as) do Paraná 2015“.

Conselho da Paranaprevidência – O Fórum das Entidades Sindicais (FES), que representa a APP e as demais categorias de servidores(as) públicos(as) do Estado, tem representação nos debates realizados pelo Conselho da ParanaPrevidência. A conselheira Vilma Terezinha conta que o Conselho é um espaço de denúncias e questionamentos das ações do governo. “Nós estamos sempre fiscalizando. Enquanto servidores, temos a participação de dois conselheiros. Ainda não há paridade, já que o governo tem indicação de vários poderes – como Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público e diretoria do próprio governo -, mas nós estamos lá fazendo denúncias e apresentando votos divergentes”, finaliza a educadora.

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