Evento destaca importância da obra Paulo Freire e os 50 anos da Pedagogia do Oprimido

“Não somos apenas docentes, somos educadores”, afirmou o sociólogo Miguel Arroyo, um dos palestrantes

Foto: APP-Sindicato

O auditório da sede estadual da APP-Sindicato ficou completamente lotado na noite desta sexta-feira (3) com educadores(as), estudantes e militantes de causas sociais que participaram da palestra sobre os “50 anos da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire”, ministrada pelo sociólogo Miguel Arroyo e pelo filósofo Euclides Mance. O evento foi organizado pela APP-Sindicato, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em parceria com o Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos.

“Por que lembrar Paulo Freire, 50 anos da Pedagogia do Oprimido? Não é uma memória do passado, é uma memória do presente. Hoje temos mais oprimidos do que na década de 60. São oprimidos os indígenas, negros, quilombolas camponeses, ribeirinhos, mulheres, professoras, professores. Então, a pedagogia de Paulo Freire se torna extremamente atual, porque a opressão continua atual”, afirma Arroyo.

Segundo o sociólogo, a grande mensagem de Paulo Freire, especificamente para os(as) profissionais da educação, é que ensinar e educar são coisas diferentes. “Paulo disse uma coisa para nós, que não somos apenas docentes, somos educadores. Uma coisa é trabalhar como ensinante, outra coisa como educador. É muito mais complexo trabalhar como educador, sobretudo de pessoas desumanizadas, roubadas de sua humanidade”.

Para Mance, a pedagogia do oprimido é um marco da história do pensamento e se contrapõe a vertentes neoliberais ou libertarianas que consideram, como base da construção social da liberdade, o sujeito tomando as decisões sozinho. “Ninguém pensa sozinho, ninguém exerce a sua liberdade sozinho. Eu necessito de uma comunidade, sem a qual eu não posso ser livre porque os meios que eu necessito para a minha liberdade eu não posso produzir por mim mesmo. Eu dependo da comunidade”, comentou.

Miguel Arroyo falou também sobre os ataques de setores da sociedade contra a obra de Paulo Freire.“O golpe é contra tudo que representou avanço na construção dos direitos dos oprimidos, do povo, e também dos trabalhadores da educação. Paulo Freire representou um pouco a síntese desses movimentos, que vieram depois dele. Então ele incomoda profundamente, tanto que os próprio opressores falam basta de Paulo. Querer apagar Paulo Freire, é querer apagar os oprimidos”, disse Arroyo.

A “Pedagogia do Oprimido” foi escrita em 1968, quando Freire estava exilado no Chile, e o livro foi publicado no Brasil em 1974. Falecido em 1997, Freire é Patrono da Educação Brasileira, título concedido pela Lei n.º 12.612, de 2012.

Participação – O evento iniciou com uma apresentação artística realizada por jovens do MST. O presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, saudou os presentes e destacou a relevância da obra de Paulo Freire para a o momento atual, de resistência dos movimentos sociais diante dos ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora.

A mesa dos trabalhos foi mediada pela professora da UFPR, professora Cida Zanetti, e contou ainda com a participação da Secretária de Finanças da APP-Sindicato, professora Walkiria Olegário Mazeto, e da educadora do MST, Jeise Back.

Confira o conteúdo apresentado nas palestras:

PAULO FREIRE: UM OUTRO PARADIGMA PEDAGÓGICO? – Miguel Arroyo

OS 50 ANOS DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO – Euclides Mance

 

Assista a entrevista exclusiva dos palestrantes para a APP-Sindicato: