APP convida para o curso Cinema Brasileiro na Escola


A APP-Sindicato realiza, em parceria com a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) o curso de extensão “Cinema Brasileiro na Escola”. O curso terá carga horária de 20 horas, sendo 12 horas presenciais e 8 de tarefas; é aberto ao público geral. As etapas acontecerão nos dias 07, 14, 21 e 28 de junho (quintas-feiras, das 19h às 22h na sede do Sindicato).

As inscrições poderão ser feitas pelo e-mail cinemamilitante@app.com.br ou pelo telefone (41) 3026-9822, com a secretaria de Formação e Cultura. Os(as) participantes receberão certificados de 20 horas emitidos pela Unespar.

Um pouco sobre o Curso de Extensão Cinema Brasileiro na Escola*

*Por professora dra. Salete Machado Sirino
diretora do Centro de Artes – Unespar/Campus de Curitiba II

Considerando que há tempos, realizadores, pesquisadores, educadores e estudantes do Cinema Brasileiro têm a crença na relevância da inserção de estudos do Cinema Nacional na Educação, tanto como uma forma de formação cultural e de plateia ao cinema produzido no Brasil, quanto pela inserção de novos realizadores de cinema, professores e alunos vinculados ao GPCine Estudos de Cinema, da Unespar/FAP, dentre outros estudos, têm promovido pesquisas acerca da Lei 13006/14, de 26 de junho de 2014, a qual acrescenta ao art. 26, da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional: § 8º A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola.

Dentre as práticas deste Grupo de Pesquisa está a publicação do livro “Cinema Brasileiro na Escola: pra começo de conversa”, que em seu prefácio o escritor e crítico de cinema, José Carlos Avellar, nos deixa a seguinte reflexão:

 

Um certo reconhecimento de que pouco se conhece do cinema brasileiro, de que é preciso partir de onde tudo começou, do ponto zero, dos recomeços depois do começo, se insinuam nas entrelinhas da retrospectiva histórica, da discussão da forma e do sentido e das discussões de procedimentos narrativos ou técnicos dispostas depois das considerações iniciais sobre a importância da análise crítica de filmes. Numa prática tão recente quanto a do ensino de cinema, analisar filmes é o que de verdade ensina como ensinar cinema. No começo do século passado a produção de filmes e a análise de filmes inventaram juntas a linguagem de cinema; a primeira, antes mesmo de organizar os processos produtivos; asegunda, antes mesmo de contar com uma base teó rica já existente em todas outras artes. Até um tempo recente, para aprender a fazer cinema, era preciso infiltrar-se numa equipe, aprender pelo que, certa vez, Humberto Mauro chamou de “escola dos brasileiros“, o olhar: “olhou, viu, fez”.  O cinema, que saltou direto da prática para a universidade, sem passar pela escola, tem agora o convite de retornar à escola, para começar lá a educar o olhar do espectador, do crítico, do realizador. Pra começo de conversa, cinema. Provocador onírico, segundo Glauber. De tirar o sono, diz-se aqui. Invenção inacabada, e por isso mesmo, convite para continuar inventado – filmes e tudo o mais.”  (por: José Carlos Avellar).

 

Diante disso, com a realização do Curso Cinema Brasileiro na Escola, esperamos contribuir com conhecimentos sobre a influência do texto e do contexto na produção do Cinema Brasileiro, com atividades pedagógicas com o Cinema Nacional, visando ao desenvolvimento do senso crítico e o enriquecimento cultural dos estudantes da Educação Básica. Espera-se, também, a criação de uma resistência à colonização cultural advinda do cinema estrangeiro, que mais do que interferir no modo de ser e de agir das pessoas, inibe o olhar para o Cinema Brasileiro pela sua própria gente e, consequentemente, inibe o olhar à identidade cultural de seu país.

Aproveitamos e disponibilizamos para leitura prévia, aos interessados em participar deste Curso, o link do livro Cinema Brasileiro na Escola: pra começo de conversa,  composto por textos que resultam de reflexões a partir de duas vertentes: histórica e análise de filmes.  A primeira linha, de História, perpassa por uma visão cronológica, desde as primeiras manifestações do cinema no Brasil até a produção contemporânea – mais de cem anos da trajetória do Cinema Brasileiro. A segunda linha, de Análise Fílmica, com abordagem centrada nos elementos que compõem o discurso cinematográfico, os trabalhos da Direção, Produção, Fotografia, Arte, Montagem e Som.  Clique aqui!