“A arte cresce nos momentos de crise”, garante cineasta Silvio Tendler

O cineasta esteve em Curitiba na última semana para o lançamento do filme "Dedo na Ferida", realizado pelo Senge-PR, APP-Sindicato e Faculdade de Artes do Paraná (FAP)/Universidade Estadual do Paraná (Unespar)

Foto: Ednubia Ghisi

Uma plateia plural, com estudantes de cinema, sindicalistas, professores, secundaristas e cineastas paranaenses, de todas as idades, participou do lançamento do filme “Dedo na Ferida” nesta quinta-feira (6), no auditório da APP-Sindicato, em Curitiba. O evento contou com a presença do diretor do documentário, o cineasta carioca Silvio Tendler, premiado e reconhecido nacionalmente por suas obras de cunho histórico e social.

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O filme é fruto da parceria entre o Sindicato dos Engenheiros – Senge Rio (Senge-Rio) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). A estreia em Curitiba foi realizada pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), APP-Sindicato, e Faculdade de Artes do Paraná (FAP)/Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

O lançamento contou com a presença do presidente do Senge-PR, Carlos Roberto Bittencourt, do presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos, do presidente da Fisenge, Clovis Francisco do Nascimento, do presidente da APP-Sindicato, Hermes Silva Leão, e da professora da Faculdade de Artes do Paraná, Solange Stecz. Também participaram do lançamento dos diretores do Senge-PR Valter Fanini e Cicero Martins Junior.

“A arte cresce nos momentos de crise”, garantiu Tendler, quando perguntado sobre a atuação dos jovens artistas e cineastas na conjuntura brasileira atual. Como exemplos da afirmação, o documentarista citou a produção da música de protesto e o Teatro Oficina, surgidos pós-golpe de 1964. Diante da dura repressão militar, jornalistas e artistas contribuíram com a resistência e a denúncia do que estava acontecendo. “São momentos em que a gente precisa respirar e responder àquele poder que está ali […]. Nós estamos vivendo um momento parecido [com o da ditadura militar]. Este é um momento de muita dureza para o Brasil, muita tristeza. Mas, ao mesmo tempo, de uma resistência através da arte”.

Para os jovens cineastas, Silvio Tendler recomenda o trabalho voltado para o momento atual do Brasil: “Os filmes que eles têm que fazer são filmes de resistência. O que a gente tem que semear é uma cultura de resistência. A cultura do blockbuster, do cinema de entretenimento já está aí. Ela beneficia três ou quatro produtores”, afirmou.

Dedo na Ferida

O “Dedo na Ferida” apresenta as consequências perversas do capital financeiro em âmbito mundial. Entre os depoimentos de especialistas nacionais e estrangeiros, o longa apresenta o percurso do podólogo Anderson Marinho Ribeiro de casa até o trabalho. Morador de Japeri, o homem de 31 anos leva 1h30, entre ônibus e trens, até chegar em Copacabana, zona nobre do Rio de Janeiro. Tendler explicou ter buscado mostrar justamente a coincidência entre o tempo dedicado diariamente pelos trabalhadores em deslocamento e a duração do filme. “[…] é o tempo que a gente leva no cinema assistindo o filme. E é esse tempo na ida e na volta, todos os dias”, explicou o cineasta.

O filme ganhou o prêmio de Melhor longa documentário, pelo júri popular, na 19ª edição do Festival do Rio de 2017 e o Troféu Ecofalante, na competição Latino-Americana da 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em 2018. Também foi selecionado para concorrer ao posto de longa-metragem brasileiro que vai disputar uma vaga entre os cinco indicados ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2019.

Fonte: senge-pr.org.br